Brasil

Após 3 anos da Rio 2016, Vila dos Atletas vendeu menos de 15% dos apartamentos construídos

Das 3,6 mil unidades, apenas 512 foram vendidas. Mas, mercado voltou a aquecer e projeto será ampliado.Carvalho Hosken desfez sociedade com Odebrecht, investigada na Lava Jato.

12/08/2019 por Por Matheus Rodrigues, G1 Rio

Três anos após a realização da Rio 2016, o empreendimento imobiliário onde funcionou a Vila dos Atletas ainda não conseguiu vender nem 15% dos imóveis construídos para o evento. Das mais de 3,6 mil unidades preparadas para a Olimpíada, apenas 512 foram comercializadas.

Apesar do baixo índice de ocupação, representantes da construtora responsável pela obra, a Carvalho Hosken, estão otimistas com a “nova fase” do mercado. O diretor de marketing da empreiteira, Ricardo Correia, disse em entrevista ao G1 que está animado com o “novo momento”.

“Nós estamos vivendo um novo momento no mercado imobiliário. Se nós considerarmos que o mercado estava completamente parado nos últimos três anos, nós hoje já começamos a ter indicadores muito interessantes. (...) Pela nossa experiência recente, de janeiro para cá, começamos a perceber a procura das pessoas para investir no mercado imobiliário”, afirmou Ricardo.

A esperança da empresa tem como base números obtidos desde janeiro de 2019: foram R$ 200 milhões arrecadados com a venda dos imóveis. A “retomada” do aquecimento do setor se deve, segundo Ricardo Correia, a novas medidas adotadas pelo Governo Federal.

“A gente acredita, fortemente, que com as novas reformas estruturais, com o novo governo, a gente já começa a perceber alguns indicadores que sinalizam uma retomada efetiva do mercado imobiliário. (...) Hoje, sentimos o cheiro da retomada do mercado, sentimos um cheiro forte através de resultados desse novo momento do mercado imobiliário. Ilha pura está completamente pronta”, afirmou o diretor.

Para analistas do mercado imobiliário, mudanças anteriores na dinâmica do mercado imobiliário afetaram a ocupação do empreendimento. O vice-presidente do Sindicato da Habitação do Rio (Secovi-RJ), Leonardo Schneirder, fez uma comparação com a Vila do Pan de 2007, que foi um sucesso de vendas quando o mercado imobiliário estava aquecido.

“A gente teve o exemplo do Pan em 2007, a Vila do Pan vendeu em um fim de semana e foi um sucesso absoluto. Imaginava-se que um projeto como Ilha Pura também ia ser um sucesso, mas o mercado mudou”, disse Schneider.

“[Após a Olimpíada] teve uma crise muito forte, crise de renda, de desemprego, falta de confiança. Tudo isso impactou as vendas e o mercado imobiliário. Você vê um empreendimento daquele com 31 torres, muito bem elaborado e bem montado, mas com pouca capacidade de ser absorvido pelo mercado”, completou o vice-presidente.

Leonardo Schneider disse ainda que o Rio de Janeiro passa por um período de reaquecimento do mercado. No entanto, alerta que é uma retomada gradual e que será feita a longo prazo.

"Eu até entendo que no momento, nesse cenário que a gente está vivendo do início de um novo ciclo econômico dentro do mercado imobiliário positivo, pode ser que volte de novo a essa procura, a essa concretização e fechamento de negócios dentro de Ilha Pura. Mas vai ser algo bem gradual, tem que ter um pouco de calma e paciência”, explicou Schneider.

"A mais bela Vila Olímpica da História"
O empreendimento, batizado de Ilha Pura, nasceu como uma aposta de ser o bairro sustentável no futuro da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. O espaço chegou a ser considerado “a mais bela Vila Olímpica da história” pelo então presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach.

Apesar de não ter vendido nem os três primeiros condomínios que foram disponibilizados ao público, o espaço ainda será ampliado no futuro. Com termos da língua estrangeira, a construtora anunciou a inauguração de um “mall” dentro de 18 meses.

A espécie de um centro comercial pretende atender a uma reclamação recorrente de grande parte das 260 famílias que já vivem por lá. O local fica “isolado” e não é bem atendido por farmácias, padarias e veterinários.

“O que nós estamos vendo é a primeira fase do desenvolvimento do bairro Ilha Pura, isso representa um terço da área total. Ilha Pura também tem a previsão de dois centros comerciais. O primeiro já está para sair, uma obra de 18 a 20 meses já tenhamos o Mall Ilha Pura. Esse centro de consumo será de necessidades, serviços e comodidades”, afirmou Ricardo Correia.

“Teremos também a Casa do Saber, um complexo que contará com uma universidade, escola, centro de estudos, espaço para pesquisas tecnológicas. A gente entende que, para se chegar a qualidade de vida, a gente tem que ter entretenimento, lazer e cultura. Esse é o grande objetivo e tripé do bairro”, completou o diretor de marketing.

Condomínio igual a 'resort', mas isolado
Para quem já comprou um apartamento e mora no espaço, a área de lazer é o diferencial do condomínio. Um parque com mais de 70 mil metros quadrados com quadras, pista de skate e até um show de águas garantem a diversão dos moradores. Por outro lado, o “isolamento” é algo que incomoda.

“Eu estou adorando isso aqui vazio, mas seria legal também ter mais gente. Ter um convívio maior e a expectativa de que isso vá crescer, de que vão chegar mais pessoas é bem grande. Só tem uma coisa que eu espero: que tenha um lugar para comprar as coisas. Sem isso, fica um pouco difícil”, disse a carioca Cristiane Rhein.

“O que nós estamos vendo é a primeira fase do desenvolvimento do bairro Ilha Pura, isso representa um terço da área total. Ilha Pura também tem a previsão de dois centros comerciais. O primeiro já está para sair, uma obra de 18 a 20 meses já tenhamos o Mall Ilha Pura. Esse centro de consumo será de necessidades, serviços e comodidades”, afirmou Ricardo Correia.

“Teremos também a Casa do Saber, um complexo que contará com uma universidade, escola, centro de estudos, espaço para pesquisas tecnológicas. A gente entende que, para se chegar a qualidade de vida, a gente tem que ter entretenimento, lazer e cultura. Esse é o grande objetivo e tripé do bairro”, completou o diretor de marketing.

Condomínio igual a 'resort', mas isolado
Para quem já comprou um apartamento e mora no espaço, a área de lazer é o diferencial do condomínio. Um parque com mais de 70 mil metros quadrados com quadras, pista de skate e até um show de águas garantem a diversão dos moradores. Por outro lado, o “isolamento” é algo que incomoda.

“Eu estou adorando isso aqui vazio, mas seria legal também ter mais gente. Ter um convívio maior e a expectativa de que isso vá crescer, de que vão chegar mais pessoas é bem grande. Só tem uma coisa que eu espero: que tenha um lugar para comprar as coisas. Sem isso, fica um pouco difícil”, disse a carioca Cristiane Rhein.


Fonte: https://g1.globo.com

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