Alívio de tensão

EUA e China selam acordo comercial e aliviam tensão

Washington suspende novas taxas, e Pequim comprará mais produtos agrícolas

14/12/2019 por Marina Dias e Júlia Moura Com agências de notícias

Donald Trump anunciou ontem o fechamento da primeira fase de um acordo com a China, que o confirmou horas depois. Os EUA reduzirão alíquotas de importações chinesas; em troca, Pequim comprará mais produtos agrícolas e manufaturados. Os mercados reagiram bem ao alívio na tensão comercial entre os países.

washington e são paulo Após meses de negociações, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (13) o fechamento da primeira fase de um acordo comercial com a China.

A decisão de concluir ao menos parte das conversas acontece em meio ao desgaste que a disputa com Pequim tem causado à sua popularidade às vésperas da eleição de 2020.

Em entrevista às 23h do horário chinês (12h em Brasília), oficiais do país asiático também anunciaram o acordo, mas com termos dissonantes dos divulgados pelo presidente americano.

Em seu Twitter, Trump afirmou que as tarifas de 25% já aplicadas sobre US$ 250 bilhões em itens chineses “permanecerão como estão”, mas o restante das importações que chegam de Pequim terá alíquota de 7,5% —esse valor representa metade dos 15% que estavam sendo cobrados desde setembro sobre US$ 125 bilhões em bens de consumo.

O presidente disse ainda que vai suspender taxas em cima de US$ 156 bilhões também sobre bens de consumo chineses que entrariam em vigor neste domingo (15).

Em seguida, Trump disse a repórteres na Casa Branca que vai usar as tarifas remanescentes como vantagem nas negociações da fase 2 do acordo, que, segundo o presidente, começam imediatamente.

Em troca, diz Trump, a China prometeu comprar mais produtos agrícolas, de energia e bens manufaturados dos americanos, o que seria um afago aos fazendeiros que apoiaram o republicano em 2016, mas estavam insatisfeitos com os prejuízos nas plantações de soja e milho, por exemplo, desde que a guerra de tarifas começou, em 2018.

“Concordamos em uma grande primeira fase do acordo com a China. Eles [chineses] concordaram com muitas mudanças estruturais e compras maciças de produtos agrícolas, energia e bens manufaturados. As tarifas de 25% permanecerão como estão, com 7,5% sobre o restante”, escreveu o presidente.

“Vamos começar as negociações da fase 2 imediatamente, em vez de esperar até depois da eleição de 2020. É um acordo maravilhoso para todos.”

O anúncio aconteceu no mesmo momento em que o Comitê Judiciário da Câmara aprovou as duas acusações de processo de impeachment contra Trump. A votação agora vai para o plenário da Casa, de maioria democrata, na próxima semana. O republicano tem o hábito de fazer grandes anúncios ou declarações polêmicas em meio a publicações de notícias que considera ruins ao seu governo.

Em Pequim, oficiais chineses não responderam a perguntas de jornalistas sobre o valor exato das importações agrícolas americanas, uma das maiores partes do acordo. Estimavam-se US$ 50 bilhões, mas oficiais apenas disseram que as compras serão ampliadas por “margem notável”.

Mais tarde, o representante comercial norte-americano, Robert Lighthizer, disse que a China concordou em comprar US$ 32 bilhões em produtos agrícolas dos Estados Unidos ao longo de dois anos.

Segundo Lighthizer, haverá metas específicas para compras chinesas de determinados produtos, mas elas não serão divulgadas publicamente para evitar distorções nos mercados. Ele disse ainda que o acordo comercial está em conformidade com as regras da OMC (Organização Mundial do Comércio).

O representante comercial afirmou que a fase 1 será assinada na primeira semana de janeiro de 2020, mas admitiu que ainda há muito trabalho a ser feito.

O texto da primeira fase do acordo tem nove capítulos e ainda precisa ser revisto legalmente pelos países para ser assinado e entrar em vigor. Segundo os chineses, parte das tarifas já impostas seria retirada pelos EUA gradualmente, o que vai contra a declaração do presidente americano de manter 25% das tarifas.

Com a falta de clareza quanto à natureza do acordo, índices acionários americanos passaram de forte alta à estabilidade. Dow Jones e S&P 500 fecharam estáveis, e a Nasdaq teve leve alta de 0,2%, os últimos dois a níveis recorde.

No Brasil, o Ibovespa teve sua valorização reduzida pela forte queda das ações da Petrobras, de grande peso no índice (leia à pág. A28), e encerrou em alta de 0,3%, a 112.564 pontos, nova máxima histórica. O dólar também subiu, com alta de 0,36%, a R$ 4,109.

“Ruim ou não, o importante é ter acordo. Muitos duvidavam de que ele aconteceria. No entanto, a partir do momento em que o mercado passou a trabalhar com a ideia de que o acordo viria [com as declarações de Trump na semana], as expectativas se elevaram e se esperava um acordo maior. Também é natural que os índices se acomodam um pouco após as últimas altas”, afirma George Wachsmann, sócio fundador da Vitreo.

As Bolsas asiáticas, por sua vez, encerraram o pregão em forte alta, antes de maiores detalhes do acordo. O índice CSI 300, que reúne as Bolsas de Xangai e Shenzhen, subiu 2%.


Fonte: pressreader - FSP

Tags: eua e china selam acordo comercial e aliviam tensão