Operação na Zona Sul

Primeira operação das Forças Armadas na Rocinha após intervenção federal tem 16 presos

Intenso confronto na favela levou ao fechamento da Lagoa-Barra por uma hora e meia

10/06/2018 por RENAN RODRIGUES / PEDRO ZUAZO

RIO — Moradores da Rocinha acordaram neste sábado sob intenso tiroteio, provocado pela primeira operação das Forças Armadas na favela desde o início da intervenção federal na segurança pública do Rio, em fevereiro. Quando as tropas chegaram à comunidade, às 6h, houve forte reação de traficantes e, devido ao confronto, a Autoestrada Engenheiro Fernando Mac Dowell (Lagoa-Barra) ficou uma hora e meia interditada. Cerca de 1.600 homens, incluindo policiais militares e civis, participaram da incursão, que terminou às 15h com a prisão de 16 suspeitos, entre eles Ronaldo Azevedo Oliveira da Cunha, conhecido como RD, acusado de assassinar o PM Diego Bruno Barbosa Henriques em 2012. Um dos detidos ficou ferido. Houve apreensão de drogas e munição.

O interventor federal, general Walter Braga Netto, esteve na Rocinha por volta das 10h e acompanhou a atuação da tropa, que também foi ao Vidigal, à Chácara do Céu e ao Parque da Cidade. Militares montaram cercos e removeram barricadas no entorno das comunidades.

Motoristas de caminhão que deixavam a Rocinha em direção à autoestrada foram revistados por militares, assim como moradores que passavam a pé pelo local. Os agentes checaram os antecedentes criminais de aproximadamente 180 pessoas.

— O nosso objetivo foi apoiar a Secretaria de Segurança, um apoio pontual, para o cumprimento de mandados em aberto. Houve confronto na chegada, um dos presos foi ferido. Mas não houve nenhum civil ou policial ferido. Tivemos 16 prisões, sendo a de um membro importante de uma facção criminosa — destacou o coronel Carlos Cinelli, porta-voz do Comando Conjunto.

Segundo o coronel Cinelli, a operação na Rocinha não teve ligação com o tiroteio ocorrido sexta-feira na Urca, após bandidos dos morros Chapéu-Mangueira e Babilônia fugirem por uma mata em direção à Praia Vermelha, durante buscas feitas pelo Batalhão de Choque da PM:

— Nós não agimos reativamente às situações. Isso seria amadorismo. Temos um planejamento estratégico de longo prazo.

Segundo o Comando Conjunto, cerca de 1.000 militares, 300 PMs e 300 policiais civis atuaram nesta operação. A ação ocorreu ao mesmo tempo em que a intervenção atua com 4.600 agentes na Cidade de Deus. Lá, a operação começou na última quinta-feira e prossegue até o momento.

APARENTE TRANQUILIDADE APÓS TIROTEIO

O clima se tornou aparentemente tranquilo na Rocinha a partir das 9h. Lojas na entrada da favela abriram, e já não havia barulho de tiros ou interdições para carros. O fluxo de pessoas aumentou nas imediações da passarela e moradores retomaram suas atividades.

— Eu abri, mas o clima estava meio estranho de manhã. Vamos ver durante o dia se todas as lojas vão ficar abertas - afirmou uma comerciante que trabalha na entrada da Rocinha, perto da passarela.

Já uma moradora da favela contou que precisou se esconder dos tiros no inicio da manhã.

— Tá demais. O tiroteio tá lá dentro. A Polícia vai entrando, e eles vão dando tiro em cima da polícia. Tive que me esconder numa viela - disse a senhora, que pediu para não ser identificada.

Uma diarista afirmou que não conseguiu ir ao trabalho, devido ao tiroteio:

— Precisava ter saído cedo para trabalhar, mas estava tendo tiroteio. Eu não vou me arriscar. Agora está melhor aqui na parte baixa, mas lá em cima ainda está complicado.

Uma jovem, que seguia para uma padaria na entrada da favela, resumiu o clima de tensão no início da manhã:

— A bala está voando!

De acordo com comunicado do Comando Conjunto, a Polícia Federal também atuou na Rocinha para cumprir mandados:

- É o que chamamos de "operações no amplo espectro". As forças precisam ter capacidades específicas - explicou Cinelli.

Segundo ele, a Praça Seca, na Zona Oeste do Rio, recebeu neste sábado uma ação humanitária "porque a fase de estabilização já foi superada e agora os serviços são requeridos".


Fonte: OGlobo.com

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