O desembargador Tutmés Ayran reuniu a imprensa alagoana para esclarecer sobre as investigações que o apontam como um dos envolvidos na venda de sentenças por membros do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL). O esquema ocasionou com duas prisões no último dia 24: a do advogado Fernando Costa,liberado por um habeas corpus concedido pelo desembargador Mário Casado Ramalho, e do serventuário Flavio Baltar, filho de um ex-desembargador.
O caso ‘estourou’ após uma gravação apresentada ao TJ que trazia uma negociação, que tem como objeto a compra de uma sentença. O advogado atuaria como um lobista, fazendo a intermediação do esquema e promovendo, inclusive, grandes festas com autoridades do Estado para acertar detalhes da venda de sentenças, geralmente de processos relacionados a propriedades de terra e imóveis.
Durante a coletiva, o desembargador, que estava acompanhado do presidente da Almagis, Maurílio Ferraz, disse estar magoado com as acusações e voltou a afirmar – como disse anteriormente com exclusividade ao CadaMinuto – que iria oferecer seu sigilo bancário e fiscal, além de cobrar que o CNJ investigue o caso. “Já solicitei que a Almagis entre no caso, e investigue todos os responsáveis”.
Ayran negou qualquer participação no esquema. “Não tenho como provar a participação ou não dos outros acusados, mas se isso fosse possível denunciaria no dever republicano”, disse, lembrando que chegou a conversar com os outros desembargadores que não quiseram se pronunciar publicamente sobre o caso.
Em entrevista ao CadaMinuto, Ayran chegou a dizer que a decisão sobre a sentença de um imóvel, citada nas gravações, foi tomada tecnicamente embasada. “Tomei a decisão que estava correta e com a rapidez que os fatos permitiam. Uma pessoa com minha história não pode ser jogada na lama por conta das declarações de um canalha (o serventuário Flavio Baltar Maia) com quem eu tenho um relacionamento apenas cordial”, explicou Tutmés ao portal.