BRASÍLIA - Após quatro horas de reunião, a bancada do PT segue sem consenso sobre o apoio ou não do partido ao presidente do Senado, José Sarney. Segundo o senador Eduardo Suplicy, parte da bancada reiterou para o presidente Lula a necessidade do afastamento temporário de Sarney, mas outra parte optou pela cautela e governabilidade.
Ficou confirmado que Lula se reunirá com Sarney na manhã desta sexta-feira. Depois dessa reunião, que deve ser a derradeira sobre a decisão do partido, a líder do governo no Congresso, Ideli Salvatti, e o líder do partido no Senado, Aloizio Mercadante, darão uma entrevista coletiva para anunciar a posição oficial do partido. O anúncio está previsto para às 10h da manhã.
"Ingenuidade"
Nesta quinta-feira, Mercadante havia dito que seu partido não vai ser “ingênuo” a ponto de colocar a governabilidade do País em risco e romper com o PMDB, que tem em seus quadros o presidente do Senado, José Sarney (AP).
“Consideramos que a melhor solução para essa crise seria licença temporária para distensionar a Casa (...) Era proposta construtiva, para solução. Até porque licença não se impõe, é ato voluntário”, disse. “Não me peçam aquilo que não posso fazer. Um ato ingenuo, espontâneo, oportunista. Nossa bancada não pode e não fará isso. Queremos reforma do Senado, punição dos responsáveis. Mas sabemos de nossa responsabilidade pela governabilidade. Vamos defender a aliança com o PMDB que é fundamental para o País”, completou.
O líder também destacou que vai trabalhar a serviço de Lula no Senado, e que não fosse essa luta e a busca de apoios para a governabilidade não existiria uma administração federal com mais de 80% de aprovação popular.
“A minha combatividade está a serviço do presidente Lula. Se não tivéssemos 30 anos de história, o Brasil não seria o que é”, completou.