Os chefes de Estado e de Governo da América Latina, Espanha e Portugal iniciaram nesta segunda-feira, na cidade portuguesa de Estoril, o primeiro dia de trabalhos da 19ª Cúpula Ibero-Americana, centrada na inovação tecnológica e no conhecimento. Os líderes devem aproveitar o encontro para debater ainda a divisão regional causada pela eleição deste domingo em Honduras.
Os representantes dos 22 países que formam a comunidade discursarão na primeira sessão de trabalhos, que começou com quase uma hora de atraso. Mais tarde, haverá um almoço e um encontro a portas fechadas --na qual os líderes se reunirão sem a presença de ministros e de assessores, para possibilitar um diálogo mais espontâneo.
| Marcos Borga/Reuters |
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| Rei Espanhol, Juan Carlos 1º (dir.), e o premoê espanhol, Jose Luis Rodriguez Zapatero (esq.), participam da cúpúla em Estoril |
O presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, foi o primeiro orador do dia e introduziu o debate sobre os temas centrais, como inovação e conhecimento diante da crise econômica.
"Estamos aqui como iguais para aprender uns com os outros e para que nossas reflexões permitam melhorar a qualidade de vida dos cidadãos", afirmou Cavaco, que lembrou a importância da pesquisa científica e do desenvolvimento tecnológico na sociedade globalizada.
A declaração final da cúpula, que aposta por incentivar o desenvolvimento científico e tecnológico para superar os efeitos da crise e para tornar a região mais competitiva, já foi estipulada pelos chanceleres.
Sobre os temas fora da agenda oficial, os líderes de Estado tentarão pactuar um texto conjunto sobre a situação em Honduras após a realização das eleições no domingo.
Muitos países, liderados pelo Brasil, não aceitam o resultado do pleito. Peru e Colômbia, entre outros, defendem que a votação é a única saída viável para a crise.
Além do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, também não assistirão à reunião o presidente da Venezuela, Hugo Chávez; o da Bolívia, Evo Morales; o do Paraguai, Fernando Lugo; o do Uruguai, Tabaré Vázquez; o de Cuba, Raúl Castro; o da Guatemala, Álvaro Colom; o da e Nicarágua, Daniel Ortega.
Os últimos líderes a chegar a Estoril, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o mexicano, Felipe Calderón, além do costa-riquenho, Oscar Arias, não assistiram ao ato de inauguração, realizado no domingo na Torre de Belém, em Lisboa.
Já o presidente peruano, Alan García, que realiza uma visita ao Vaticano, se juntará à conferência nesta segunda-feira, após o almoço oficial em Estoril.
A cúpula também será palco de várias reuniões bilaterais para tratar assuntos e conflitos específicos entre países, dos quais o enfrentamento entre Colômbia e Venezuela é o que levantou mais expectativas.