Quando iniciei minha vida de colunista nos idos de 79, no Jornal Tribuna Penedense como colaborador, não imaginava me tornar um assíduo companheiro da máquina de escrever. Mas o tempo foi passando e aquilo dito por Dr. Alcides dos Santos Andrade de quem muito lê muito se desenvolve me tocou, tornei-me um viciado em lê os jornais Gazeta e Jornal ambos de Alagoas.
O tempo foi passando e como por magia a paixão pelos textos foi dominando a área das exatas dentro da Física, fazendo surgir à parceria entre o professor dos números com o arrumador das palavras que somadas tornam-se orações, frases ou períodos, que ainda seqüenciando-se davam vazão a um texto ou matéria, seja discursiva, narrativa ou descritiva. Naquele tempo, surgia apenas um admirador do ato de escrever sem a coragem de tudo publicar.
Na época do acidente que vitimou o saudoso Raimundo Marinho, fiz publicar a primeira poesia de minha autoria falando sobre a vida e perda do grande líder. Nunca me imaginei passar daquilo, contudo como se fosse uma fonte que jorrou seu primeiro olho d’ água veio à continuidade que me levou a dirigir o meu professor na escrita, que foi a Tribuna Penedense. Fui companheiro do último dos Moicanos – Evaldo Araújo – personalidade marcante da imprensa Penedense.
Momentos depois, fui convidado a partilhar meu tempo com a Casa do Penedo, também dirigindo o jornal daquela casa. Prontifiquei-me, fiz e cumpri o meu papel tanto como diretor quanto de colunista. Por lá estão três edições sob nossa responsabilidade que por sorte contou com a divisão de capacidades do jornalista de formação Werner Sales, dupla que deixou a marca do esforço compensado pela realização de algo bom.
Depois desse aprendizado, transferir-me para a capital, Maceió, onde fui residir e trabalhar, e o vício pela escrita falou mais alto e terminei colaborador da Tribuna de Alagoas com matérias aos domingos, espaço nobre de qualquer jornal. Por todo esse tempo, não aprendi a fazer matérias sem personalidade definida. No meio de todos que escreviam não existiam os rastejantes vermes da pseudo matéria, éramos éticos e não nos permitíamos escrever sem assinar ou assinar o que não escrevemos, pois é muito fácil sermos pegos numa abordagem que se identifica nossa característica, nosso conhecimento da língua portuguesa ou até mesmo com nossa capacidade de produção.
Retornei à terra onde nasci e atendendo a uma cobrança interior busquei o meu espaço para continuar escrevendo, mas sempre sem inventar qualquer que fosse a história para alcançar o sucesso ou a simpatia de alguém que não fosse por mérito próprio . Sou polêmico e não subserviente. Escrevo e assino. Não me escondo através de apelidos ridículos. Não sou metade nem garapa, onde me sento para deliciar um aperitivo ou degustar um petisco também me faço presente na hora da conta. Não ganho computador de restos de campanha, não afronto ao próximo com tintas sem a prova inequívoca do estou dizendo, sou RAUL, com identidade única, CPF sem subterfúgios, endereço fixo fruto da minha luta de trabalho e não presente dado por político A ou B e a quem depois de beneficiado venha a trair, difamando a quem me deu teto, presente de casamento ou quem sabe algo mais...
Mesmo quando morei e trabalhei fora não me ausentei de Penedo por longo período para depois aqui chegar contando lorota e querendo conquistar um espaço para me locupletar posando de competente. Eu sou competente nas áreas a que me predisponho a trabalhar ou realizar, e quando não o sou, antes, preparo-me para enfrentar o desafio. Sou penedense não me finjo de sê-lo para barganhar qualquer que seja a migalha de quem detenha o poder econômico, político ou eclesiástico, independendo de todos eles. Sou profissional definido, conquisto as oportunidades de trabalho e sei distinguir entre o político que cumpre a palavra e o que engana. Não participo de campanha sonhando com cargos que não possa exercer por isso não me frustro.
Quando escrevo que alguém desviou dinheiro ou tinta, dou nomes aos bois, bois mesmos. Não me faço de desentendido para viver das fofocas e ou picuinhas. Sou admirado e odiado, mas essa característica só pertence aos definidos que assumem posições com a clareza e a coragem de dizer ou escrever aquilo que é verdade, e por isso, eu acredito no que digo e escrevo! Não vivo a bajular quem quer que seja e ainda por cima servindo de chacota pelos que venha a bajular, não sou geo (terra) sou gente, e gente que faz e assume o que faz!
Olho para os dias passados e não me vejo humilhado! Pois sei exatamente quem sou o que sou, de onde venho e para onde vou. Escrevo no que construí e conquistei, e não onde me usam como desavisado do que tenha a fazer.
Até mesmo quem já me agrediu com ações nefastas não conseguiu sequer a aprovação de parentes. Não roubei o dinheiro da calça de quem mandava lavá-la por minha mãe e, dentro da minha profissão, nunca fiz um aluno se preparar de maneira errada para na hora da avaliação estar exausto e sem condições físicas de participar dos 90 minutos da prova. Também nunca fui flagrado aos beijos com pessoa do mesmo sexo na casa de amigos onde nos divertíamos num final de semana. Até nesse aspecto escolhi o lado que queria ficar. Tenho defeitos, mas os acima citados não os tenho!
Imprensa é para se expressar, mas quando necessário se faz também imprensar!
Raul Rodrigues – Raul@correiodopovo-al.com.br