O jornalista Roberto Baía e o repórter fotográfico Carlos Alberto de
Oliveira foram espancados no último domingo quando cobriam o jogo entre
ASA e América Mineiro, em Arapiraca. A pancadaria foi ordenada pelo
presidente da Federação Alagoana de Futebol, Gustavo Feijó e comandada
por David Holanda, representante da federação e delegado da partida,
que contou ainda com a participação de outro elemento ligado à FAF,
conhecido por Júnior Beltrão.
A violência foi praticada por soldados da Polícia Militar sob o comando
de um oficial da PM. Após a sessão de chutes, tapas e pontapés, Roberto
Baía sofreu escoriações nos braços e no rosto, enquanto Carlos Alberto
teve fraturas no braço esquerdo. O caso foi parar na delegacia de
polícia da cidade e nesta terça-feira será levado ao conhecimento do
secretário de segurança pública, Paulo Rubin, pelo sindicato da
categoria.
A justificativa alegada pelos brutamontes a soldo da Federação foi o
fato de os jornalistas estarem vestidos de bermuda e se recusaram a
deixar o campo, por exigência de Gustavo Feijó.
Vale registrar que Roberto Baía e Carlos Alberto estavam a serviço do
jornal “Tribuna Independente” e do semanário EXTRA, que esta semana
publica sérias denúncias contra o presidente da Federação de Futebol,
Gustavo Feijó. Na matéria, o cartola é acusado de desrespeitar decisões
judiciais com o objetivo deliberado de prejudicar o Penedense, que há
dois anos está fora do campeonato alagoano por perseguição política de
Feijó.
A Justiça já decidiu pelo retorno do clube de Penedo ao campeonato
alagoano de primeira divisão, mas Feijó insiste em descumprir as
decisões judiciais. Sob seu comando, a FAF também será condenada a
indenizar o Penedense por danos morais e materiais, segundo informa
Sílvio de Menezes, advogado do clube de Penedo, cidade que deu a
Gustavo Feijó o merecido título de “persona non grata”. Os jornalistas
vítimas da violência em Arapiraca acham que o espancamento foi um ato
covarde de retaliação pelas últimas denúncias contra Gustavo Feijó.
Lei também a nota conjunto do sindicato dos jornalistas de Alagoas e da Federação Nacional dos Jornalistas.
NOTA OFICIAL
Indignado com mais um ato de truculência da Polícia Militar e da
Federação Alagoana de Futebol contra profissionais da imprensa, o
Sindicato dos Jornalistas de Alagoas vem a público repudiar as
agressões sofridas no último domingo pelos repórteres Roberto Baía e
Carlos Alberto de Oliveira, quando faziam a cobertura da partida entre
ASA e América Mineiro, na cidade de Arapiraca. Sem qualquer explicação
por parte dos dirigentes da Federação, os dois profissionais foram
expulsos do estádio e covardemente espancados pelos policiais
militares, numa demonstração de despreparo e abuso de poder das
respectivas autoridades.
Esta não é a primeira vez que dirigentes da Federação e a Polícia
Militar protagonizam cenas de violência e ataque à imprensa. Há pouco
tempo, episódios desagradáveis aconteceram na cidade de São Luiz do
Quitunde, quando a integridade física de jornalistas foi colocada em
risco. Em outra partida realizada em Maceió, envolvendo CRB e
Corinthians de São Paulo, dirigentes da Federação também ameaçaram e
impediram jornalistas de realizar seu trabalho.
No momento em que o futebol alagoano passa por imensas dificuldades, em
parte devido aos erros dos seus dirigentes, é profundamente lamentável
que atitudes truculentas e autoritárias, vindas da Federação e da
Polícia Militar, busquem agravar ainda mais esse quadro, prejudicando
uma campanha exemplar realizada pelo ASA no Campeonato Brasileiro. O
Sindicato dos Jornalistas e os repórteres vítimas das agressões, após
registrarem a queixa e realizarem exame de corpo de delito, que
comprovam o espancamento, irão a partir de hoje tomar as medidas
administrativas e judiciais cabíveis, representando contra os policiais
e a Federação Alagoana de Futebol nos órgãos e instâncias competentes.
Sindicato dos Jornalistas de Alagoas - Sindjornal
Federação Nacional dos Jornalistas - Fenaj
Veja fotos da violência:
DAVID HOLANDA COMANDA PANCADARIA CONTRA JORNALISTAS
ROBERTO BAÍA, DE BERMUDA, ANTES DE SER EXPULSO
