Os dois pilares das decisões em conflito: a política e a justiça

Quando poder e tribunal se cruzam, a democracia fica em risco. Quatrto ex-presdientes presos levam a democracia ao risco

Os dois pilares das decisões em conflito: a política e a justiça

Em qualquer sociedade organizada, dois pilares se destacam como fundamentais para sustentar a noção de ordem, convívio e

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 desenvolvimento: a política e a justiça. Porém, embora ambos tenham nascido para servir ao bem comum, tornaram-se, ao longo da história, forças que frequentemente se chocam, produzindo tensões que moldam destinos individuais e coletivos. Quando esses pilares entram em conflito, a estabilidade democrática treme, e o cidadão comum observa perplexo um duelo que deveria, em teoria, jamais existir.

A política é o campo das escolhas humanas, dos interesses sociais, das articulações e das estratégias. É nela que se constroem soluções, alianças e projetos. Contudo, também é nela que surgem as ambições, os acordos obscuros, os cálculos eleitorais e as disputas pelo poder. A política opera no terreno da subjetividade, onde o que vale é a soma de forças, influências e narrativas. Sua essência é dinâmica, mutável, às vezes volátil, movida por ventos que mudam conforme a conveniência dos atores.

A justiça, por sua vez, deveria ser a âncora. É o pilar da lógica, da imparcialidade, da equidade e da aplicação das leis. No ideal republicano, a justiça se mantém cega: não olha para partidos, sobrenomes, mandatos ou popularidade. Ela analisa fatos, provas e princípios. Diferente da política, a justiça opera no terreno do que deve ser, e não do que convém. Enquanto a política busca o consenso do momento, a justiça busca a coerência eterna.

O problema é que, quando esses dois mundos colidem, quem paga o preço é o país. A politização da justiça fragiliza decisões e coloca em dúvida sentenças que deveriam ser incontestáveis. A judicialização excessiva da política transforma os tribunais em arenas partidárias e expõe juízes a pressões que desvirtuam sua função. O político, quando tenta capturar a justiça, age com o instinto de autopreservação. O magistrado, quando tenta governar, ultrapassa o limite institucional que o legitima. Ambos, quando saem de seus territórios naturais, criam um campo de batalha onde a democracia vira refém.

No fim, o grande desafio do Brasil e de diversas democracias contemporâneas é reencontrar o equilíbrio perdido. Política e justiça não são inimigas — são sustentáculos complementares. Mas precisam se respeitar, se limitar e se conter. Quando cada uma cumpre seu papel, o país avança. Quando confundem caminhos, o povo perde. E é sempre o povo que perde.

Creditos: Professor Raul Rodrigues