Maduro pediu um Mac e lhe enviaram um Donald

Donald Trump agiu com a dureza necessária sobre um ditador, sem para tanto feriri ou prejudicar aos venezuelanos. Eis a regra dos meios justificarem o fim.

Maduro pediu um Mac e lhe enviaram um Donald

A política internacional, às vezes, se permite ao deboche involuntário — ou perfeitamente calculado. Nicolás Maduro pediu um Mac e recebeu um Donald. A metáfora correu o mundo porque traduz, com ironia cruel, a confusão entre desejo, expectativa e realidade no tabuleiro geopolítico.

O Mac simboliza o que o regime venezuelano jamais conseguiu entregar ao seu povo: prosperidade, previsibilidade, acesso ao consumo, estabilidade mínima. É o sonho embalado em marketing, eficiência e promessa de funcionamento. Já o Donald que chegou não veio em caixa feliz. Veio com retórica dura, sanções, isolamento e um estilo confrontacional que transforma a política externa em ringue.

Maduro esperava reconhecimento, alívio, talvez complacência. Recebeu pressão. Esperava diálogo; ganhou choque. O erro não está apenas na encomenda, mas na crença de que o mundo compraria o discurso sem conferir o conteúdo. Pedir um Mac quando a cozinha interna não tem gás, nem ingredientes, é ignorar que o problema não é o cardápio, mas a gestão do restaurante.

O episódio revela algo maior: regimes que se sustentam na narrativa costumam confundir propaganda com produto. Acham que slogans substituem resultados. Que culpar o “imperialismo” resolve prateleiras vazias. Que controlar a informação gera confiança. Não gera. No máximo, adia o inevitável.

Ao receber um Donald, Maduro também recebeu o espelho da própria contradição. A política de confronto externa é filha direta do autoritarismo interno. Quem fecha portas em casa não pode reclamar quando encontra muros lá fora. O mundo responde com a moeda que entende: poder, pressão e interesses.

No fim, a piada amarga ensina: não basta pedir o que simboliza sucesso; é preciso construir as condições para merecê-lo. Sem isso, qualquer pedido vira trocadilho. E a conta, como sempre, sobra para o povo — que não pediu Mac, nem Donald, apenas dignidade.

Creditos: Professor Raul Rodrigues