Corpo de PM desaparecido é encontrado em Embu-Guaçu
12/01/2026, 09:08:35Desaparecimento do Policial e Indícios de Crime Organizado
Familiares do policial militar Fabrício Gomes de Santana, desaparecido desde a última quarta-feira (7), reconheceram as roupas e uma aliança localizadas no corpo encontrado na manhã deste domingo (11), em Embu-Guaçu, na Grande São Paulo. A informação foi divulgada pela Polícia Civil de São Paulo, em coletiva de imprensa realizada nesta tarde, embora a identificação oficial ainda dependa da conclusão de exames periciais que estão sendo feitos no Instituto Médico Legal (IML).
Os policias deram detalhes das investigações, reforçando a informação que o cabo Santana desapareceu após uma discussão com um traficante numa comunidade na Zona Sul da capital. O veículo do policial foi encontrado incendiado na quinta-feira, em Itapecerica da Serra, na região metropolitana de São Paulo.
O Cerne da Investigação
As investigações apontam que o cabo Santana estava no bairro Jardim Horizonte Azul com um amigo, chamado Isaque. Foi neste momento que um homem chamado Riclecio apareceu. Conhecido de Isaque, durante a conversa, ele tentou usar cocaína e foi repreendido pelo policial. Após uma discussão, Riclecio teria pedido desculpas, mas saiu do local e foi até líderes do crime da região, onde revelou que Fabrício era policial militar. A partir disso, houve uma ligação convocando Isaque para ir até o local. Ele compareceu levando o cabo Santana, que foi desarmado, submetido a um chamado “tribunal do crime” e condenado à morte, segundo a polícia.
“Nesse local, teria ocorrido um 'julgamento' sumário, e o policial teria sido condenado à morte pelo simples fato de ser policial e de estar 'no lugar errado, na hora errada'. 'Não poderia estar ali' naquela região, que seria um reduto do crime, vamos dizer assim. A partir daí, demos sequência na investigação”, disse o delegado Vitor Santos de Jesus, na coletiva de imprensa.
Desdobramentos da Apuração
Ainda de acordo com os investigadores, imagens de câmeras da região mostraram um dos suspeitos, conhecido como “Gato Preto”, conduzindo um Chevrolet Corsa enquanto outro homem dirigia o carro da vítima até o ponto onde o veículo foi incendiado. Eles seguiram até uma área de chácaras em Embu-Guaçu, o que ajudou a polícia a delimitar o perímetro onde o corpo teria sido descartado. Em um sítio da região, foram encontrados vestígios de terra recentemente mexida.
O proprietário do sítio, André, teve a prisão temporária decretada, porque os investigadores acreditam que ele possa ter vínculo com a facção criminosa PCC, embora ainda não seja possível afirmar que a facção tenha determinado a morte do policial — hipótese que segue sob apuração. A Justiça já havia decretado a prisão temporária de outros três suspeitos.
A polícia também investiga a participação de Isaque, apontado como envolvido com o tráfico de drogas, e analisa se ele tem ligação com facção criminosa. O caseiro do sítio foi ouvido e liberado, sem ser considerado investigado neste momento.
Até agora, segundo o delegado, quatro suspeitos foram presos, mas a polícia acredita que pelo menos mais quatro estejam envolvidos na execução e nos descartes do corpo e do veículo. As investigações continuam.