Viver o presente, antecipar o futuro sem perder o passado nos livra dos falsos

Consciência do tempo como antídoto contra discursos vazios, promessas oportunistas e verdades fabricadas

Viver o presente, antecipar o futuro sem perder o passado nos livra dos falsos

Viver o presente é mais do que existir no agora: é ter consciência do tempo que se pisa, das escolhas que se fazem e das consequências que elas produzem. O presente é o único espaço onde a verdade se manifesta, onde os discursos se confrontam com os fatos e onde as máscaras começam a cair.

Antecipar o futuro, por sua vez, não significa viver de promessas vazias ou de profecias convenientes. Significa planejar, observar tendências, compreender movimentos e se preparar para o que virá com responsabilidade. Quem enxerga adiante não se deixa enganar por atalhos fáceis nem por salvadores de ocasião, que oferecem soluções instantâneas para problemas complexos.

Já o passado não deve ser tratado como âncora que impede o avanço, mas como bússola. É nele que estão as lições, os erros cometidos, os acertos conquistados e as verdadeiras intenções reveladas ao longo do tempo. Esquecer o passado é abrir espaço para que os mesmos falsos discursos se repitam, com novas embalagens e velhos interesses.

Quando se vive o presente com lucidez, se projeta o futuro com seriedade e se preserva o passado com honestidade, cria-se um antídoto poderoso contra a falsidade. Os falsos dependem da memória curta, da pressa irracional e da distração coletiva. Prosperam onde não há comparação, nem coerência entre o que foi dito, o que é feito e o que se promete fazer.

Assim, equilibrar esses três tempos é um ato de maturidade individual e social. É a forma mais eficaz de separar o real do ilusório, o compromisso do oportunismo e a verdade da encenação. Quem compreende o tempo em sua totalidade dificilmente se deixa conduzir pelos falsos — porque aprendeu a ver, lembrar e projetar com consciência.

Creditos: Professor Raul Rodrigues