2° voto para senador em 2026 será a Covid-19 familiar dos sobreviventes
13/01/2026, 06:14:51Certa feita em Alagoas o segundo voto para o senado trouxe renovação com Rodrigo Cunha, que diga-se de passagem, não conseguiu superrar ao antecessor, Biu de Lira, que em mandato foi mais eficiente para o alagoanos. As obras comprovam o escrito.
As eleições de 2026 trarão ao eleitor brasileiro uma responsabilidade que vai além da rotina democrática: o segundo voto para senador. Pouco debatido, muitas vezes tratado como detalhe, esse segundo voto tende a se transformar no fator decisivo do pleito. E é aqui que cabe a metáfora dura, porém realista: esse segundo voto pode ser a Covid-19 familiar dos sobreviventes da política brasileira.
A pandemia ensinou que o vírus não escolhia apenas indivíduos; ele entrava nas casas, atingia famílias inteiras e deixava marcas profundas em quem sobrevivia. Na política, o segundo voto para o Senado pode cumprir papel semelhante: um erro aparentemente pequeno, mas com consequências prolongadas, capazes de comprometer gerações institucionais.
O Senado é a Casa mais estável da República. Seus mandatos são longos, seus poderes amplos e suas decisões, duradouras. É ali que se julgam ministros do Supremo, que se freiam ou se aceleram projetos de poder, que se sustenta ou se desmonta o equilíbrio entre os Poderes. Votar duas vezes para senador não é excesso democrático; é teste de maturidade política.
O problema é que muitos eleitores tratam o segundo voto como descarte: votam “por simpatia”, “por gratidão”, “por amizade” ou, pior, por influência de estruturas familiares e políticas que já mostraram seu esgotamento. Assim como na Covid-19, o descuido inicial cobra um preço alto depois — e quem sobrevive carrega as sequelas.
Em 2026, o segundo voto tende a ser o refúgio dos velhos caciques, dos projetos fracassados reciclados, das alianças oportunistas que não resistem à luz do dia. É o voto que pode garantir sobrevida ao atraso, travestido de experiência, ou consolidar um bloco de poder que não dialoga com o futuro.
Os sobreviventes da política — o eleitor consciente, crítico, cansado de promessas vazias — precisam entender que não basta acertar no primeiro voto. O segundo pode anular o acerto do primeiro, assim como uma reinfecção pode ser mais devastadora que a doença inicial.
A lição é clara: em 2026, o segundo voto para o Senado não pode ser tratado como formalidade. Ele exige o mesmo rigor, a mesma vigilância e a mesma responsabilidade. Caso contrário, a política brasileira seguirá convivendo com as sequelas de escolhas mal feitas, como famílias que sobreviveram à pandemia, mas nunca se curaram totalmente de suas perdas.
Democracia não admite descuido. E o Senado, menos ainda.