Quando a arbitragem “faz” o gol, não se tem a quem recorrer

Penedense e CRB - Coruripe e Penedense não deixa de ser uma ameaça que pode levar à Segundona. è dificil pois os números ainda são favoráveis ao Alvirrubro do Cajueiro Grande, mas...

Quando a arbitragem “faz” o gol, não se tem a quem recorrer

O futebol, em sua essência, é disputa, talento, erro humano e superação. Mas quando a arbitragem deixa de ser mediadora do jogo para se tornar protagonista do placar, algo se rompe de forma irreversível: a confiança. Quando a arbitragem “faz” o gol, não há drible possível, não existe sistema tático capaz de corrigir a injustiça, nem substituição que reverta o estrago. E o mais grave: não há a quem recorrer.

O erro do jogador é punido no placar. O erro do técnico custa o emprego. O erro do dirigente cobra seu preço nas arquibancadas vazias. Já o erro da arbitragem — ou sua conveniência — costuma morrer no apito final, protegido por relatórios, súmulas frias e um corporativismo que raramente admite culpa. O prejuízo, no entanto, é real, concreto e quase sempre irreversível.

Um pênalti inexistente, um gol mal anulado, uma expulsão precoce ou um impedimento “interpretativo” mudam destinos. Decidem campeonatos, rebaixam clubes, quebram planejamentos e destroem o trabalho de meses. E tudo isso sob o manto da autoridade máxima em campo, que não pode ser contestada sem punição. Reclamar vira cartão. Insistir vira expulsão. Questionar vira multa.

O VAR, vendido como solução tecnológica para reduzir injustiças, muitas vezes apenas sofisticou o problema. Trouxe imagens, linhas e ângulos, mas não eliminou a subjetividade — apenas a blindou. Afinal, quando o erro persiste mesmo com a tecnologia, a sensação que fica é ainda pior: não foi falta de recurso, foi escolha.

Para clubes do interior, de menor investimento e pouca força política, o impacto é ainda mais cruel. Não há bastidores, não há pressão midiática, não há quem grite por eles nos grandes centros. São vítimas fáceis de um sistema que, quando erra, quase sempre erra para o mesmo lado. E quando acertam contra os pequenos, ninguém pede desculpas, ninguém repara o dano.

O futebol perde credibilidade quando o torcedor sai do estádio — ou desliga a televisão — com a certeza de que o resultado não foi decidido apenas pelas quatro linhas. Perde-se a paixão, a crença no mérito e a ideia de justiça esportiva. Ganha espaço o descrédito, a revolta e a suspeita permanente.

Enquanto não houver responsabilização clara, transparência real e critérios públicos para avaliação e punição de árbitros, o jogo seguirá manchado. Porque quando a arbitragem “faz” o gol, o placar até registra o número. Mas a história do jogo, essa sim, registra a injustiça. E contra ela, infelizmente, ainda não existe recurso. Assista ao lance do pênalti entre Coruripe e Penedense clicando no Link a abaixo.

https://www.instagram.com/reel/DT8q8SfDyEE/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=NTc4MTIwNjQ2YQ==

Creditos: Professor Raul Rodrigues