ONU alerta para nova era de falência hídrica no planeta
27/01/2026, 12:00:50Crise hídrica em números alarmantes
O braço acadêmico da ONU, a Universidade das Nações Unidas (UNU), divulgou um relatório que apresenta que o mundo já vive em uma nova era de "falência hídrica". Essa expressão descreve a condição crônica em que o consumo de água supera a capacidade natural de reposição, ato que coloca em risco sistemas essenciais para a vida humana, a economia e a estabilidade política global. O diretor do Instituto de Água, Meio Ambiente e Saúde da ONU, Kaveh Madani, afirma que a falência hidráulica já é uma realidade em curso e não uma projeção futura.
A escassez de água ao redor do mundo
O estudo mostra que cerca de 4,4 bilhões de pessoas enfrentam escassez de água durante, pelo menos, um mês ao ano e o cenário é agravado pela degradação acelerada dos recursos hídricos: aproximadamente 70% dos aquíferos subterrâneos estão em declínio de longo prazo, enquanto os grandes lagos do planeta apresentam redução de volume. Isso significa que secas severas e prolongadas também se tornam mais frequentes em diferentes regiões.
Impactos socioeconômicos da crise hídrica
Segundo a CNN, 75% da população mundial vive em países com algum grau de insegurança hídrica. Atualmente, cidades como São Paulo, Teerã, Chennai e Cidade do Cabo seguem risco de crises como o “dia zero”, quando os reservatórios atingem níveis críticos e o abastecimento é interrompido. O relatório divulgado também aponta que a crise da água também gera consequências socioeconômicas e políticas, usando como exemplo o aumento da imigração do México para os Estados Unidos.
Desafios e soluções para o futuro
O setor agrícola é o ponto central do problema e a solução, já que responde por cerca de 70% do consumo global de água doce, segundo Madani, que também afirma que reorganizar o sistema produtivo para operar dentro de um orçamento hidrológico menor é uma tarefa urgente para evitar danos ainda mais profundos.
O relatório também aponta possíveis caminhos, mesmo com o diagnóstico alarmante. Com a restauração de zonas úmidas, as tempestades de poeira podem ser reduzidas, melhorando a qualidade do ar e trazendo benefícios à saúde pública. Técnicas agrícolas que aumentam a retenção de água no solo também podem contribuir para a captura de carbono, auxiliando no combate às mudanças climáticas.