Trump e a Groenlândia: Mudanças na Geopolítica Global
27/01/2026, 09:03:53Trump e a Groenlândia: Implicações Geopolíticas
Ao trazer a Groenlândia para o centro do debate, Trump reafirma a disposição de promover uma guinada de 180 graus na geopolítica mundial. Foram tantas decisões, que geraram tantas consequências rumorosas, que Donald Trump, nesta sua segunda passagem pela Casa Branca, parece estar há mais tempo do que está à frente do governo dos Estados Unidos. Na terça-feira passada, dia 20 de janeiro, ele completou um ano de um mandato que tem dado o que falar. É impossível deixar a data passar sem registro. Ainda mais quando se observa a extensão dos acontecimentos que o presidente protagonizou desde a posse.
Não há ponto no mapa-múndi que não tenha sido alcançado pelas decisões do presidente. Nas últimas semanas, foi a vez da Groenlândia ser puxada para o centro do debate. Com uma população de pouco mais de 55 mil habitantes, a ilha é um dos rincões mais remotos da terra — um daqueles lugares, como diz a expressão utilizada para se referir a pontos longínquos, "onde o vento faz a curva". Localizada no círculo Ártico, a ilha esconde sob sua superfície congelada uma reserva importante de petróleo — de mais ou menos 31 bilhões de barris, ou de, aproximadamente, 10% das reservas gigantescas da Venezuela.
Seu patrimônio mais valioso, porém, não está aí, mas nas jazidas de disprósio, lítio, neodímio, térbio e outras terras raras — minerais cada vez mais indispensáveis para a indústria eletrônica, automobilista e de energia limpa e sustentável. As reservas groenlandesas desses elementos vinham sendo apropriadas sem obstáculos pela China, que nunca escondeu a intenção de expandir suas lavras na ilha. Até que Trump substituiu o inerte Joe Biden e resolveu dar um basta na situação.
Desde o início de seu mando, ele passou a reivindicar não só as riquezas, mas a Groenlândia inteira, para os Estados Unidos. O tema, como não poderia deixar de ser, dominou o debate durante as comemorações do primeiro aniversário do segundo governo Trump. E, diante da obsessão que o líder americano tem demonstrado de propor medidas extremas para defender a posição de liderança mundial que seu país exerce desde o século passado — e que vinha sendo desafiada, mais ainda não ameaçada pela China — pode-se dizer que, mais importante do que registrar o primeiro aniversário, é observar que ainda faltam três longos anos para o fim do mandato.
Guinada de 180 graus na Geopolítica
Se os primeiros 12 meses já foram suficientes para alterar a rota geopolítica global de forma tão significativa, o que acontecerá nos 36 meses seguintes? As decisões tomadas pelo presidente desde o primeiro dia do atual mandato já provocaram o realinhamento das forças internacionais e desviaram o mundo da rota que vinha seguindo nos trinta anos anteriores. As medidas de Trump chacoalharam o comércio entre as nações, impactaram o mercado mundial de energia e, se não chegaram a conter, pelo menos desaceleraram o ritmo da expansão chinesa.
As decisões mais recentes do presidente, como vem sendo apontado por esta coluna nas duas últimas edições, devem puxar a Venezuela e o Irã de volta para o mercado mundial de petróleo. E criar uma situação que, no final das contas, beneficiará o continente que mais o critica no momento: a Europa. Sim. As medidas de Trump, no final das contas, deverão reduzir a dependência da Alemanha, da Itália, da Hungria e de vários outros países da União Europeia do gás natural produzido pela Rússia. E tornar competitivo o gás produzido por países como Israel e Austrália que, hoje, enfrentam obstáculos para viabilizar sua presença no mercado.
Ao longo do primeiro ano de mandato foi ficando claro que as medidas adotadas por Trump tinham uma lógica que ia muito além das intenções expansionistas que os críticos atribuem ao americano. A intenção de cada manobra foi menos ofensiva do que defensiva. Cada uma foi a de conter o avanço chinês e impedir que a Rússia, mesmo já não sendo uma sombra do que foi no passado, continue agindo como superpotência. É lógico que nem todas as medidas que Trump tomou se relacionam diretamente para essa estratégia — mas 100% delas estão voltadas para o fortalecimento da autoridade americana.
Estilo Pessoal e Diplomacia
Logo no primeiro dia de mandato, o presidente revogou mais ou menos 80 ordens de seu antecessor, Joe Biden, e tornou claro o rompimento do governo dos Estados Unidos com a cultura woke, com o politicamente correto e com os acenos à esquerda mundial. Com Trump no comando, a banda passou a tocar um dobrado diferente — e isso, como é evidente, incomodou aos que não contavam com essa possibilidade.
Trump nunca se furtou a proibir a entrada no país de autoridades estrangeiras que, a seu juízo, agem contra os interesses e os princípios americanos. A lista de vistos revogados incluiu diversas autoridades brasileiras que, mesmo depois do distensionamento das relações entre os dois países, continuam impedidas de pôr os pés nos Estados Unidos.
O governo também não recuou diante das críticas que recebeu pelo uso da força para reprimir a imigração ilegal e mandar de volta para seus países, algemados, os que estavam sem situação irregular no território americano. Suas ações mais rumorosas, no entanto, se voltaram para fora do país. É o caso da ordem de lançar contra o Irã a operação militar de grandes proporções que foi determinante para o fim à Guerra dos 12 Dias entre a ditadura dos Aiatolás e Israel.
Em outra frente de combate, ele utilizou o poderio econômico de seu mercado, que é o maior do mundo, para adotar sobretaxas exageradas no comércio com os demais países do mundo e o emprego de medidas ainda mais rigorosas com os que se opusessem aos interesses americanos — entre os quais o Brasil recebeu o tratamento mais severo.
Conclusão
As ações de Trump moldaram um novo cenário geopolítico, com efeitos que se estendem para além da Groenlândia. Suas decisões refletem uma estratégia que visa não apenas o fortalecimento dos Estados Unidos, mas uma reconfiguração das relações internacionais. É crucial acompanhar esses desenvolvimentos para entender as consequências que se desenrolarão nos próximos anos. Para mais análises e comentários sobre a política internacional, continue acompanhando nosso blog.