Ucranianos enfrentam frio intenso com soluções improvisadas
27/01/2026, 15:05:38Desafios do inverno na Ucrânia
Os moradores de Kiev vêm sentindo há três semanas os efeitos devastadores dos ataques russos à infraestrutura energética da Ucrânia. Esses ataques resultaram na queda do sistema de aquecimento de casas e estabelecimentos, enquanto a capital enfrenta uma onda contínua de frio intenso, com temperaturas negativas de dois dígitos.
Impactos na vida dos moradores
Apesar das tentativas de negociações de paz entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos, o Kremlin tem realizado novos ataques massivos tanto na capital quanto em outras áreas da Ucrânia, resultando em vítimas civis e danos significativos à infraestrutura de fornecimento de energia. O vice-chefe de governo Olexij Kuleba afirmou que 800 mil pessoas estavam sem eletricidade em Kiev no dia 24 de janeiro.
Com a falta de eletricidade, aquecimento e água, muitos moradores decidiram deixar a capital. Uma mãe relatou: "Como não tínhamos eletricidade, aquecimento ou água, meu marido, meus dois filhos e eu nos mudamos para a casa de campo dos meus pais, e meu pai também veio para cá". Essa mudança foi motivada pela necessidade de conforto, já que a casa possui um aquecedor a gás e um gerador a diesel que garante luz e água.
Hotéis oferecem suporte
A escritora e tradutora Tamara Horicha Sernja também deixou Kiev com os filhos. Ela encontrou uma oferta em um hotel na região de Lviv que oferecia 50% de desconto para pessoas de Kiev. "Ela cobra cerca de 900 hrívnias por dia (aproximadamente R$110) por adulto, com três refeições incluídas. No dia seguinte, já arrumamos nossas coisas e partimos", conta.
Impactos nas instituições de ensino
As férias de inverno da maioria das escolas da capital foram prorrogadas até 1º de fevereiro na tentativa de redistribuir a energia economizada para as áreas residenciais. Entretanto, as universidades estão com salas de aula vazias, embora os dormitórios ainda estejam cheios. Um diretor de dormitório observou que embora o fornecimento de eletricidade seja problemático, água e aquecimento já foram restabelecidos, após 28 horas sem serviço.
Decisões difíceis: ficar ou partir?
Cerca de 600 mil dos 3,6 milhões de habitantes de Kiev deixaram a cidade desde o início dos ataques russos em 9 de janeiro, segundo o prefeito, que baseou a estimativa no número de celulares ativos na cidade. A administração militar de Kiev, no entanto, não confirma essa estimativa, alegando que, se tantas pessoas tivessem partido, a situação de abastecimento não seria tão crítica.
Roman Nizowytsch, diretor do think tank DiXi Group, expressa sua opinião sobre a situação, afirmando que o consumo de eletricidade pode ser um indicador, mas sua relevância é incerta devido à natureza irregular do fornecimento. "Assim que a eletricidade volta, há consumo excessivo, porque as pessoas imediatamente lavam roupa e cozinham", reclama.
Fantasia ou sobrevivência?
Ainda entre aqueles que resistem às adversidades em Kiev, Anja Syrotenko cuida sozinha de seu bebê de três meses desde que seu marido foi convocado para o serviço militar. "Moro no 15º andar. Quase não há eletricidade, e sem eletricidade, não há água", disse Anja. Para enfrentar essa situação, ela investiu em um fogareiro a gás, que lhe permite preparar algumas refeições.
Ajuda aos vulneráveis
A situação é igualmente difícil para Marta Semenjuk, que vive com a filha pequena e o marido sem aquecimento funcional há semanas. Para se aquecer, eles recorrem a um forno a gás e tentam usar um ventilador para espalhar o calor pelo apartamento quando há eletricidade.
Em resposta a essa crise, as autoridades de Kiev têm se esforçado para oferecer refeições quentes diariamente para os mais vulneráveis e muitos voluntários estão ajudando a entregar alimentos a pessoas com dificuldade de locomoção.
Restauração da infraestrutura
Os técnicos ucranianos estão trabalhando arduamente para restaurar os sistemas de eletricidade, água e aquecimento. Espera-se que esse processo leve até duas semanas para que toda a cidade seja reconectada. Entretanto, mesmo quando o aquecimento voltar, não funcionará em capacidade total. Especialistas temem que em prédios onde os tubos quebraram devido ao congelamento, o aquecimento só seja restabelecido na primavera, em março. Isso poderá resultar na necessidade de substituições completas dos sistemas de calefação em blocos residenciais inteiros.