CPIs ou CPMIs para quê?
28/01/2026, 18:13:25Que se tenha obitido resultados o povo desconhece. O quanto se gasta antes, durante e depois das CPIs ou CPMIs, nunca de dá transparência. Logo, serve mesmo para quê?
No Brasil, sempre que um escândalo ganha as manchetes, surge a palavra mágica: CPI. Se o caso envolve Congresso Nacional, vira CPMI. O discurso é conhecido: “investigar”, “apurar responsabilidades”, “dar respostas à sociedade”. Mas a pergunta que insiste em ecoar é simples e incômoda: CPIs ou CPMIs servem para quê, afinal?
Na teoria, são instrumentos nobres do Parlamento, criados para fiscalizar o Executivo, revelar irregularidades e apontar culpados. Na prática, porém, transformaram-se em palcos de vaidades, disputas políticas e espetáculos midiáticos. Deputados e senadores disputam minutos de fama, cortes para redes sociais e manchetes de efeito, enquanto a investigação real fica em segundo plano.
Grande parte das CPIs nasce com roteiro pronto. O resultado já é conhecido antes mesmo da primeira oitiva. Não se investiga para descobrir a verdade, mas para confirmar narrativas. Convocações viram interrogatórios seletivos, documentos somem, requerimentos são engavetados e o relatório final, quase sempre, serve mais para acusar adversários do que para produzir justiça.
O mais grave é que raramente as conclusões de uma CPI resultam em punições concretas. Relatórios são enviados ao Ministério Público, à Polícia Federal ou ao STF e, ali, muitos acabam esquecidos, arquivados ou diluídos pela burocracia e pelo tempo. O clamor popular se dissipa, a pauta muda, e tudo segue como antes.
Enquanto isso, o custo político e financeiro é alto. Meses de trabalho, milhões em recursos públicos e uma sociedade iludida pela sensação de que algo está sendo feito. No fundo, cria-se um teatro institucional: investiga-se muito, pune-se pouco; fala-se demais, resolve-se quase nada.
Diante disso, a pergunta permanece: CPIs ou CPMIs servem para esclarecer fatos ou para alimentar o jogo político? Para fornecer momentos midiáticos a alguns que precisam se reelegerem, ou nascedouro de natimortos.