Lula rejeita 'Conselho da Paz' de Donald Trump

Lula rejeita 'Conselho da Paz' de Donald Trump

Lula rejeita 'Conselho da Paz' de Donald Trump

O presidente Lula (PT) telefonou para Donald Trump para explicar por que não pretende aceitar o convite para integrar o tal Conselho de Paz proposto pelo chefe da Casa Branca.
Foi como ligar para o aniversariante para dizer, de uma maneira mais ou menos educada, que se recusa a ir a uma festa em que só o dono da casa pode comer o bolo e ainda bate nos convidados caso não ganhe todos os jogos da gincana. A gincana, no caso, é bater na campainha dos países vizinhos e ameaçar de morte caso seus responsáveis não entreguem o que o dono da festa exige.
Parece um descuido semântico que o conselho tenha a palavra "paz" no nome, mas é pura pegadinha.
Trump arrastou com ele cerca de 30 países, parte deles alinhada com a cartilha da extrema direita global, casos de Argentina, Paraguai e Hungria. Nações como a França não quiseram saber de conversa.
O Brasil tem razões para fugir da armadilha. O argumento, oficialmente, é que falta clareza sobre os objetivos e o estatuto do Conselho, que não ficará restrito a Gaza, como foi proposto.
Outro argumento é que seria arriscado rivalizar, a essa altura do campeonato, com o já surrado Conselho de Segurança da ONU, sobre o qual Lula discursa há anos pedindo a ampliação do número de países-membros com poder de veto, e não o contrário, como deseja Trump.
Lula e seus conselheiros para assuntos internacionais sabem que o objetivo do republicano é justamente esse: esmagar de vez o órgão da ONU e fazer do planeta o que bem quiser.
Neste novo conselho, Washington, afinal, teria controle total – e desproporcional – em relação aos outros integrantes, que figurariam ali como mera plateia.
Um sinal de que há mesmo razões para desconfiar é que, sem consultar o povo palestino, Trump já decidiu o que pretende fazer em Gaza.
O repórter Jamil Chade, do ICL Notícias, teve acesso ao plano e mostrou que ele incluiu um controle absoluto sobre o território, sem monitoramento externo e sem envolvimento de qualquer autoridade local. Caberá ao conselho (leia-se Trump) definir quem deve governar, administrar e proteger Gaza com novas forças de segurança. É um primeiro grande passo para o tirano fazer de lá o tão sonhado resort das empresas Trump no Oriente Médio.
Endossar esse tipo de decisão é concordar que no futuro, se houver qualquer instabilidade política por aqui, ou mesmo uma escalada da guerra entre facções, Trump possa determinar, sem qualquer contestação, que o Brasil precisa ser governado por Conor McGregor, um apoiador de primeira hora do republicano.
Alguém quer arriscar?