Documentário Morcego Negro mostra quase tudo, menos justiça à Moacir Andrade
30/01/2026, 08:29:51Entre bastidores, poder informal e silêncios históricos que ainda ecoam na política brasileira
Um documentário que passa a integrar o cinema nacional e que trata da vida e da morte de Paulo César Farias — o PC — faz um amplo sobrevoo pela trajetória histórica daquele que foi considerado o homem mais “poderoso” dos governos Collor em Alagoas e no Brasil — governador e presidente, respectivamente. A obra aborda, segundo o próprio documentário, as andanças e negociações com forte odor de corrupção promovidas por PC enquanto representante desses governos.
É fato incontestável que Paulo César Farias detinha a mais alta das “patentes” informais ao atuar como assessor direto do então governador de Alagoas e, posteriormente, do presidente da República, Fernando Collor de Mello. Na condição de homem de absoluta confiança do político, PC podia falar em nome de ambos os governos. E quem o atendia passava a integrar a partilha das grandes obras do país, entre empresários dos mais diversos ramos necessários à execução dos projetos governamentais.
O documentário, é claro, traça um perfil de PC Farias com riqueza de detalhes, sustentados por imagens reais, mesclando o tempo psicológico dos fatos com depoimentos e entrevistas concedidas em período posterior à sua morte.
No entanto, a narrativa permanece excessivamente concentrada nas ações de Paulo César Farias durante o governo Collor em Alagoas — parte menor de sua atuação — e durante a Presidência da República, quando exerceu o papel de verdadeiro lobista do governo. Ninguém chegava ao governador ou ao presidente sem antes passar por ele. PC era o caminho.
E, traduzindo o título da matéria, faz-se justiça ao vice-governador Moacir Andrade ao não lhe atribuir qualquer participação nas investigações e nas conclusivas afirmações de corrupção ocorridas durante a Presidência de Collor. Contudo, o documentário deixa de destacar o apoio decisivo de Andrade enquanto vice-governador e, posteriormente, durante toda a campanha de Fernando Collor à Presidência da República. Mesmo quando instigado por um político baiano a se posicionar contra Collor naquele momento crucial, Moacir Andrade manteve-se fiel até o fim. Não fez justiça à fidelidade de PC Farias a Collor, nem a Moacir Andrade.