Ex-primeira-dama da Coreia do Sul é condenada por corrupção

Ex-primeira-dama da Coreia do Sul é condenada por corrupção

Condenação da ex-primeira-dama Kim Keon-hee

Um tribunal sul-coreano condenou nesta terça-feira (28) a ex-primeira-dama Kim Keon-hee a 20 meses de prisão por corrupção, encerrando um dos casos mais sensíveis da maior crise política recente do país. A sentença foi proferida semanas após a prisão do marido, o ex-presidente Yoon Suk-yeol, que foi destituído após decretar lei marcial no fim de 2024.

O juiz Woo In-sung, do Tribunal do Distrito Central de Seul, afirmou que a ex-primeira-dama abusou de sua posição para obter vantagens indevidas. Kim, com 53 anos, foi absolvida das acusações de manipulação do mercado de ações e de violação das leis de financiamento eleitoral. A decisão é de grande impacto histórico, simbolizando uma derrota judicial do casal presidencial e amplificando o trauma institucional causado pela lei marcial, que acelerou a queda de Yoon e expôs divisões entre os poderes Executivo, Judiciário e Legislativo.

Motivações por trás da condenação

A acusação alegou que Kim recebeu cerca de 170 mil euros (R$ 930 mil) em subornos de empresários e políticos, além de presentes de alto valor associados à Igreja da Unificação, muitas vezes referida como seita Moon. Para os promotores, houve troca de favores e influência indevida no ambiente do poder. Em dezembro, a promotoria afirmou que a ex-primeira-dama "se colocou acima da lei" e colaborou com interesses religiosos, violando o princípio constitucional da separação entre Estado e religião. A defesa, por outro lado, negou as irregularidades e solicitou a absolvição total.

Embora a condenação por corrupção tenha sido confirmada, o tribunal rejeitou os crimes mais pesados apontados pela acusação, que incluíam manipulação do mercado e interferência eleitoral, os quais poderiam resultar em penas muito mais severas. O Ministério Público havia solicitado 15 anos de prisão. Ao final do julgamento, Kim declarou-se inocente, classificando as acusações como "profundamente injustas" e pediu desculpas "por ter causado problemas", embora tenha reconhecido "muitos erros" durante o exercício de sua função pública.

Contexto da lei marcial e a queda do presidente

Os escândalos envolvendo Kim tiveram um impacto significativo durante todo o mandato de Yoon. Em 2024, ele vetou três tentativas do Parlamento de investigar sua esposa. O último veto ocorreu uma semana antes do decreto de lei marcial, uma medida que precipitou a destituição e prisão de Yoon, que agora aguarda a conclusão de vários processos judiciais, um dos quais pode resultar em pena de morte, de acordo com a legislação local para crimes de extrema gravidade contra a ordem constitucional.

O veredito contra Kim selou uma semana especialmente difícil para os antigos líderes do país asiático. O ex-primeiro-ministro Han Duck-soo foi condenado a 23 anos de prisão por cumplicidade no episódio da lei marcial, sendo essa pena superior ao pedido da acusação em oito anos. As investigações também resultaram na prisão de Han Hak-ja, líder da Igreja da Unificação, uma organização que afirma ter milhões de adeptos e controla uma espécie de império econômico.