Segredo das pirâmides do Egito revelado em papiros antigos

Segredo das pirâmides do Egito revelado em papiros antigos

O Enigma das Pirâmides

Durante milhares de anos, a Grande Pirâmide de Gizé, no Egito, alimentou uma das maiores perguntas da história: como os antigos egípcios conseguiram erguer uma estrutura tão monumental com blocos de pedra que pesavam várias toneladas, sem máquinas ou tecnologia moderna? As informações são do Times of India.

A Descoberta dos Papiros

A resposta começou a ganhar contornos mais claros apenas em 2013, quando arqueólogos fizeram uma descoberta crucial no sítio de Wadi el-Jarf, na costa egípcia do Mar Vermelho. Ali foram encontrados os chamados Papiros do Mar Vermelho, registros administrativos que incluem o diário de um homem chamado Merer, um inspetor responsável por supervisionar o transporte de calcário usado na construção da pirâmide.

Esses documentos oferecem detalhes inéditos sobre a engenharia, a logística e a organização humana por trás de uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo.

Um Porto Esquecido

Hoje, Wadi el-Jarf parece apenas um trecho isolado onde o deserto encontra o mar. Mas, há cerca de 4.500 anos, o local funcionava como um porto estratégico de grande importância. O sítio foi identificado pela primeira vez em 1823 pelo explorador britânico John Gardner Wilkinson, que acreditou se tratar de um cemitério da era greco-romana. Décadas depois, arqueólogos franceses imaginaram que a área tivesse sido usada para atividades metalúrgicas.

Somente em 2008, o egiptólogo francês Pierre Tallet percebeu a real relevância do local: tratava-se de um centro logístico ativo durante o reinado do faraó Quéops (Khufu), responsável por facilitar o envio de materiais essenciais até Gizé. Localizado a cerca de 240 quilômetros da pirâmide, o porto era usado para transportar cobre da Península do Sinai e, principalmente, calcário das pedreiras de Tura, levado em embarcações que navegavam pelo Mar Vermelho e por canais conectados ao Nilo.

O Diário de Merer

A descoberta mais impressionante em Wadi el-Jarf foi a coleção de papiros que inclui os registros pessoais de Merer, um supervisor encarregado de documentar as atividades diárias de sua equipe. Ele liderava um grupo de cerca de 200 trabalhadores e descrevia com precisão a movimentação dos blocos de pedra. Em um dos trechos, Merer escreve: Dia 25: "O inspetor Merer passou o dia com sua equipe transportando pedras para Tura-Sul; passou a noite em Tura-Sul." Dia 26: "O inspetor Merer partiu de Tura-Sul com sua equipe em um barco carregado de blocos de calcário rumo a Akhet-Khufu [nome original da Grande Pirâmide], passando a noite em She-Khufu [área administrativa próxima a Gizé]."

Os relatos mostram que várias viagens eram realizadas em sequência, indicando uma operação contínua e altamente coordenada.

Trabalhadores Qualificados

Durante muito tempo, a ideia mais popular era a de que as pirâmides teriam sido construídas por escravizados submetidos a trabalho forçado. Os registros de Merer, no entanto, apontam para outro cenário. Os operários descritos nos papiros eram trabalhadores especializados, organizados em equipes e remunerados com rações de pão, carne, tâmaras, cerveja e legumes, já que o dinheiro, como conhecemos hoje, não fazia parte da economia egípcia da época.

Os textos também revelam a presença direta da elite do reino na supervisão da obra. Um dos nomes citados é Ânkhkhâf, meio-irmão de Quéops e descrito como “chefe de todas as obras do rei”. Em um fragmento, lê-se que Merer trabalhou ao lado de equipes de alto escalão e sob a supervisão de Ânkhkhâf, o que indica que o projeto envolvia tanto mão de obra experiente quanto o acompanhamento das figuras mais importantes do governo.

Planejamento Avançado

Além de registrar deslocamentos, o diário de Merer revela algo ainda mais surpreendente: um sistema de gestão de projetos extremamente avançado para a Antiguidade. Cada viagem de barco, carga transportada, parada e pernoite era cuidadosamente anotada. Isso sugere que a construção da Grande Pirâmide não dependia apenas de força bruta, mas de um nível sofisticado de planejamento, controle de recursos, monitoramento de prazos e organização de equipes.

Especialistas acreditam que funcionários do Estado acompanhavam cronogramas, suprimentos e responsabilidades com precisão notável para a época, um indício de que o Egito Antigo já dominava métodos administrativos complexos.

A Conclusão do Mistério

Embora ainda existam dúvidas sobre todos os detalhes técnicos da construção, os Papiros do Mar Vermelho ajudam a desmontar teorias fantasiosas e mostram que a Grande Pirâmide foi resultado de engenharia, logística e trabalho humano altamente organizado. O diário de Merer transforma um dos maiores mistérios da história em um relato surpreendentemente humano: homens, barcos, planilhas rudimentares e uma administração eficiente movendo pedra por pedra até formar um dos monumentos mais impressionantes já erguidos pela civilização.