Alckmin confirma que não será candidato em SP se sair da vice

Alckmin confirma que não será candidato em SP se sair da vice

Alckmin e sua postura em relação à candidatura


O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), já avisou a dirigentes petistas que não pretende se candidatar a nenhum cargo caso seja retirado da chapa em que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentará a reeleição. A conversa, de acordo com pessoas próximas do vice-presidente ouvidas pela reportagem, não foi uma ameaça de rompimento. Alckmin teria dito que apoiaria Lula mesmo sem concorrer a nenhum cargo.


Os petistas sonham com a possibilidade de o vice-presidente, que governou São Paulo de 2001 a 2006 e de 2011 a 2018, se candidatar a governador ou senador no estado em chapa com o petista Fernando Haddad, ministro da Fazenda, e com a emedebista Simone Tebet, ministra do Planejamento.


Expectativas e alianças em São Paulo


A ideia seria ter candidatos fortes a governador e senador fazendo campanha para Lula em São Paulo, que tem o maior eleitorado do Brasil. Além de Alckmin, Haddad também tem dito que não quer se candidatar. Apesar dessa vontade de petistas, a reedição da chapa presidencial Lula-Alckmin era dada quase que como certa até o final do ano passado.


O presidente e o vice, que se aproximaram visando às eleições de 2022, tornaram-se muito próximos. Além disso, o PSB, partido de Alckmin, pressiona para que ele continue na vice.


Possíveis mudanças na chapa e novos apoios


Recentemente, porém, Lula passou a dar sinais nos bastidores de que poderia rever o formato dessa aliança. Na quinta-feira (5), o petista indicou isso publicamente. "Temos condições de ganhar as eleições em São Paulo. Eu ainda não conversei com o Haddad, ainda não conversei com o Alckmin, mas eles sabem que têm um papel para cumprir em São Paulo", disse o presidente da República em entrevista ao UOL.


O plano de Lula, com uma possível alteração em sua chapa, não seria apenas fortalecer sua campanha em São Paulo. Ele poderia, também, oferecer a vice para outro partido como forma de agregar mais apoio à sua coligação nacional. Uma hipótese seria o MDB. O partido tem uma ala lulista poderosa, mas mesmo assim uma tentativa de associação com a legenda teria muitas dificuldades.


Como mostrou a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, a cúpula emedebista está se aproximando do PSD, que tem três pré-candidatos a presidente. Dos 27 diretórios estaduais do partido, 17 estariam afastados de Lula e 10, próximos ao governo petista.


Importância da figura de Alckmin na política


Aliados de Alckmin argumentam que ele ajuda Lula a se aproximar de setores que têm resistência ao petista, como o empresariado e parcelas do agronegócio. Alckmin acumulou a Vice-Presidência com o cargo de ministro da Indústria e Comércio, o que o colocou em contato cotidiano com grandes exportadores.


Além disso, avaliam que retirar Alckmin da chapa poderia, no limite, até afastar o PSB da aliança do presidente da República. Lula e seu atual vice até o momento não teriam conversado sobre a possibilidade de uma mudança no arranjo político vigente. Caso o presidente da República decida fazer a troca, será uma conversa delicada. Lula elogia publicamente Alckmin com frequência, considerando-o um aliado qualificado e leal.


A lealdade e seus reflexos nos planos políticos


A lealdade de Alckmin é um dos fatores mais apontados tanto por petistas quanto por pessebistas como motivo para ele disputar a eleição como vice de Lula. O PT tem um trauma em torno deste tema: Michel Temer (MDB), quando era vice de Dilma Rousseff (PT), articulou o afastamento da então chefe de governo e assumiu a presidência da República em 2016.