Capitão da PM é preso por suposta negociação com o CV
08/02/2026, 12:03:02Prisão do Capitão Alessander Ribeiro
A Justiça Militar do Estado do Rio de Janeiro decretou a prisão preventiva do capitão da Polícia Militar, Alessander Ribeiro Estrella Rosa. Ele é suspeito de negociar com traficantes do Comando Vermelho, uma das maiores e mais perigosas facções criminosas do estado e do Brasil. As negociações colocariam Alessander, inclusive, como um integrante de um "novo Escritório do Crime".
Informações sobre o mandado de prisão
A confirmação do mandado de prisão preventiva contra o capitão foi informada pela Polícia Militar na última sexta-feira (6), ao O Dia. Ele estava afastado das atividades desde o mês passado, quando um áudio entre uma conversa de Alessander e Edgar Alves Andrade, o Doca, um dos mais influentes integrantes do CV, viralizou. Doca tem 26 mandados de prisão expedidos pela justiça.
Ação da Polícia Militar
Este "novo Escritório do Crime", onde traficantes e antigos policiais (estes criminosos, com histórico de expulsões de corporações), atuam como matadores de aluguel a mando de influentes e poderosos, que visam eliminar concorrentes e expandir negócios.
Em texto publicado em uma rede social, o coronel Marcelo de Menezes, secretário de Estado da Polícia Militar do Rio de Janeiro, celebrou a ação e classificou como proativa e contundente. "Esta ação proativa e contundente da Corregedoria da SEPM reitera o compromisso do Coronel PM Marcelo de Menezes de não compactuar com desvios de conduta ou cometimentos de crimes praticados por integrantes da Corporação, sejam oficiais ou praças", escreveu o perfil da PMERJ em uma rede social.
Contexto da violência no Rio de Janeiro
Supostas alianças entre policiais e traficantes O Rio de Janeiro segue sendo palco da violência que, cada vez mais, toma conta da capital e do estado. Casos como os do capitão Alessander não são raros e nem tão pouco frequentes. Inclusive, viraram até mesmo "pano de fundo" dos marcantes filmes "Tropa de Elite", sucesso de bilheteira no Brasil nos anos 2000 e 2010.
A saída de policiais (expulsos ou não) e seu envolvimento com o crime organizado no Rio de Janeiro ganhou ainda mais relevância pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista dela, Anderson Gomes, no início de 2018. Após anos de investigação, se apontou o envolvimento de ex-policiais no crime.
Um deles é Ronnie Lessa, autor confesso do crime, e antigo Policial Militar. Próximo à milícia, ele admitiu ter participado ativamente do atentado contra ela e o motorista a mando de poderosos. Em 2024, a Procuradoria Geral da República (PGR) chegou ao nome dos políticos (e irmãos) Chiquinho e Domingos Brazão, bem como do delegado Rivaldo Barbosa como mandantes do crime. Todos seguem presos.