Quais os impactos políticos da frase de RF “nunca pedi ao JHC para não ser candidato”!

Efeitos da frase de Renan Filho podem ser catastróficos para os dois lados: Ou JHC se define e acaba a indefinição dos Calheiros, ou o próprio JHC acaba engolido pelas retóricas.

Quais os impactos políticos da frase de RF “nunca pedi ao JHC para não ser candidato”!

É deveras preocupante o jogo de palavras entre os prováveis candidatos ao Governo do Estado de Alagoas, RF e JHC, que preferem um diálogo ácido, sobretudo nas mídias digitais, de onde emergem as primeiras conclusões dos eleitores.

A última frase de efeito de Renan Filho (RF) — “nunca pedi que o JHC não fosse candidato” — abre espaço para que as eleições de 2026 sejam, no mínimo, conflitantes. Um afirma nunca ter pedido que o outro desistisse da candidatura, enquanto o outro segue instigando permanentemente a possibilidade de disputar o governo ou o Senado.

Dessas duas posições antagônicas, abrem-se novos flancos para especulações sobre pré-candidaturas ao Senado, como as de Alfredo Gaspar e Davi Filho, além de intensificar a leitura das pesquisas sobre as candidaturas internas dos partidos, envolvendo Renan Calheiros e Arthur Lira. O resultado é um verdadeiro drinque indigesto para os nomes mais fortes.

Também se escancara a porta para os “engenheiros de chapa” na formação das candidaturas majoritárias ao governo. Em tese, Renan Filho e JHC aparecem como os dois primeiros colocados nas prévias.

No caso de Renan Calheiros, seu lastro de campanha já conta com nomes definidos para governador, senadores — considerando que serão dois votos — além de deputados federais e estaduais, todos alinhados e com margem de sobra.

Já para JHC, como candidato ao governo, a aposta forte no nome de Alfredo Gaspar para o Senado traz consigo dois grandes desafios: primeiro, o perfil de campanha de Gaspar como homem público austero e político sério, que teria dificuldades em sustentar uma eleição de grande porte — especialmente porque apenas com votos espontâneos é extremamente difícil sair de pouco mais de cem mil votos para alcançar a casa dos quase quinhentos mil. Segundo, a complexa formação das chapas proporcionais para deputado federal e estadual.

Some-se a isso a necessidade imperiosa de um bom nome para o segundo voto ao Senado e para a vice-governadoria, capazes de aglutinar partidos e aliados para fortalecer as proporcionais. Esse cenário já se apresenta como um grave problema, sobretudo caso Arthur Lira venha a ocupar a outra vaga ao Senado, exigindo palanque conjunto com Gaspar, o “paladino das Alagoas”.

Enfim, todo esse rearranjo precisa ser cuidadosamente analisado para que se consolide o pleito de 2026 com JHC como candidato a governador e sua trupe de aliados ocupando os demais espaços necessários à manutenção de uma chapa competitiva. É justamente aí que a onça pode ir para o brejo.

Creditos: Professor Raul Rodrigues