A arte da desvergonha de Lula como Picasso

A arte da desvergonha de Lula como Picasso

Uma nova face da corrupção

Recentemente, Lula discursou em Mauá, São Paulo, afirmando: "É a primeira vez na história do Brasil que estamos perseguindo os magnatas da corrupção nesse país. Não é prender o cara da favela, é prender o de terno e gravata que mora em Miami!" O tom de sua declaração provocou reflexão e reações variadas. Mesmo com a audacidade de suas palavras, é importante lembrar o histórico de Lula, que foi condenado em duas instâncias por corrupção e lavagem de dinheiro, chegando a ser preso. Importante destacar que ele recuperou seus direitos políticos após anulações de condenações, mas não houve uma absolvição de mérito.

A ironia do discurso

O contraste entre o discurso de Lula e seu passado levanta questões sobre a confiança do público. Durante um evento em Maceió, ele fez uma declaração sobre fake news, mas sua aparência e postura chamaram a atenção. "Não coloquem uma raposa para cuidar do galinheiro, mesmo que ela esteja vestida de branco e com lágrima nos olhos", disse, enquanto sua presença era vista como uma ironia, rememorando seus próprios negócios e problemas de corrupção.

História repetida

O padrão de discurso de Lula parece reciclado: em 1989, afirmou que "lugar de bandido é na cadeia", referindo-se a outros. Em 2016, ficou na mesma linha desafiando a prova de corrupção. Além disso, em 2022, embora tenha admitido corrupção na Petrobras, tentou reverter isso reivindicando transparência. Essa habilidade de distorcer narrativas é uma estratégia que ele aperfeiçoou ao longo dos anos.

Um curador da própria imagem

Lula se posiciona como um curador de sua biografia, decidindo quais informações devem ser mantidas e quais devem ser deixadas de lado. Essa curadoria não é apenas de fatos, mas também de como ele deseja ser percebido pelo público. Assim, ao repetir certas afirmações com convicção, espera que o passado se torne uma névoa, que as pessoas esqueçam as contradições e as falhas em sua história.

Reações do público

O público, por sua vez, encontra-se dividido entre rir da audácia de Lula, lamentar a falta de memória coletiva ou até aplaudir sua consistência estética. A trama se torna cada vez mais complexa, onde a repetição parece se sobrepor à veracidade.

O palco está montado, as luzes acesas e a plateia observa. Contudo, resta a pergunta: até quando essa peça teatral pode continuar sem clamor pelo verdadeiro significado do discurso?