Piloto é preso em avião por suspeita de crimes sexuais
11/02/2026, 09:02:40Detenção ocorreu antes da decolagem durante operação do policial; investigação apura rede de exploração sexual infantil ativa há oito anos
Um piloto de avião de 60 anos foi preso dentro da cabine da aeronave, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, nesta segunda-feira (09), durante uma operação da Polícia Civil contra uma rede de exploração sexual infantil. A detenção ocorreu antes da decolagem e surpreendeu passageiros e tripulação. A viagem era de responsabilidade da Latam.
A prisão faz parte da Operação Apertem os Cintos, conduzida por equipes da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo e da Polícia Civil de São Paulo, por meio da 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia do DHPP. Segundo a investigação, o piloto é suspeito de integrar, há pelo menos oito anos, uma estrutura organizada voltada à exploração sexual de crianças e adolescentes.
Prisões em locais incomuns
A ação em Congonhas ocorreu no cumprimento de mandados de prisão temporária e de busca e apreensão autorizados pela Justiça. No total, a operação mobilizou 32 policiais civis e 14 viaturas, com diligências também em Guararema, na região metropolitana de São Paulo. Além do piloto, uma mulher de 55 anos foi presa sob suspeita de receber pagamentos pela “venda” das próprias netas, de 10, 12 e 14 anos, para fins de exploração sexual. De acordo com a Polícia Civil, o piloto foi detido já acomodado na cabine do avião, pronto para iniciar o voo. Segundo a assessoria de imprensa do aeroporto, "Não houve impacto às operações, que ocorrem normalmente."Investigação e vítimas
O inquérito policial foi aberto em outubro de 2025. Até agora, ao menos três vítimas foram identificadas, com idades de 11, 12 e 15 anos, submetidas a situações reiteradas de abuso e exploração sexual. As apurações indicam que o grupo atuava de forma coordenada, com divisão de funções e habitualidade criminosa. Os investigadores apuram crimes como estupro de vulnerável, favorecimento da prostituição e da exploração sexual de crianças e adolescentes, produção e compartilhamento de pornografia infantojuvenil, uso de documento falso, perseguição reiterada e aliciamento de menores.Segundo a Polícia Civil, a operação tem como objetivo interromper imediatamente a atuação do grupo, preservar provas, especialmente digitais, e proteger a integridade física e psicológica das vítimas. Novas prisões não estão descartadas, assim como a identificação de outras vítimas ligadas ao esquema criminoso. As investigações continuam sob sigilo parcial, e os presos permanecem à disposição da Justiça.
Em nota ao iG, a Latam afirmou: "A LATAM Airlines Brasil confirma que está ciente do ocorrido na manhã desta segunda-feira (9/2) durante os procedimentos de embarque do voo LA3900 (São Paulo/Congonhas–Rio de Janeiro/Santos Dumont), no qual um de seus tripulantes foi detido pelas autoridades policiais. O voo operou normalmente, decolando e pousando no horário previsto. A LATAM está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. A companhia repudia veementemente qualquer ação criminosa e reforça que segue os mais elevados padrões de segurança e conduta."