Novo organograma do PCC revela divisão interna e líderes

Novo organograma do PCC revela divisão interna e líderes

Novo organograma do PCC revela divisão interna e líderes


Levantamento do Dipol aponta que 37 integrantes da cúpula do PCC seguem em liberdade e aponta novas sintonias na estrutura da facção.


Um novo organograma elaborado pelo Departamento de Inteligência da Polícia Civil de São Paulo (Dipol) mapeia a atual hierarquia do Primeiro Comando da Capital (PCC). O documento aponta 89 pessoas como integrantes efetivos da cúpula da facção, das quais 37 estariam em liberdade. Embora o levantamento traga um total de 100 nomes, apenas 89 são considerados membros formais. Os onze restantes se dividem entre seis classificados como associados, que mantêm vínculo com a organização sem integração plena, e cinco identificados como "decretados", expulsos da facção e jurados de morte.

A atualização do organograma também indica uma ampliação da estrutura interna, que passou a contar com 12 sintonias, incluindo duas novas divisões: a Sintonia da Internet e Redes Sociais e o Setor do Raio X.


O que são as "sintonias"

Assim como outras organizações complexas, o PCC desenvolveu um modelo próprio de funcionamento baseado nas chamadas "sintonias". Essas instâncias organizam a divisão de tarefas e permitem a coordenação das atividades da facção em diferentes níveis, tanto dentro quanto fora do sistema prisional.

  • Sintonia Geral Final – instância máxima de comando, responsável pelas decisões estratégicas centrais.
  • Sintonia dos Estados e Países – coordena a atuação da organização fora de São Paulo, no território nacional e no exterior.
  • Resumo Disciplinar – órgão encarregado do controle interno e da aplicação de sanções.
  • Sintonia do Sistema – articula e organiza o funcionamento interno da facção no sistema prisional.
  • Sintonia dos Gravatas (Advogados) – media a relação jurídica, acompanhando processos e contratando defensores.
  • Sintonia Financeira – administra recursos financeiros.
  • Sintonia do Progresso – centraliza as atividades econômicas vinculadas ao tráfico de drogas.
  • Sintonia da Internet e Redes Sociais – cuida da comunicação, articulação e circulação de informações no meio digital.
  • Setor da Padaria – dá suporte logístico e operacional a diferentes frentes da organização.
  • Quadro dos 14 – círculo restrito de lideranças responsável por deliberar e orientar decisões estratégicas.

Apesar dessa divisão funcional, os núcleos operam de forma segmentada. Integrantes que ocupam cargos em uma determinada sintonia não detêm conhecimento pleno sobre as ações e planejamentos das demais, o que contribui para reduzir riscos e preservar a estrutura da organização.


Sintonia das Redes Sociais

De acordo com a investigação, a Sintonia da Internet é o setor encarregado de organizar e proteger as comunicações digitais da facção. Essa instância coordena contatos entre integrantes por meio de aplicativos de mensagens, redes sociais e e-mails criptografados, buscando preservar o sigilo e reduzir riscos de interceptação. Além disso, fiscaliza o uso das redes sociais dos membros, acompanhando conteúdos e interações para evitar exposições públicas ou vazamento de informações sensíveis. Também oferece apoio técnico aos membros, atuando como núcleo especializado em tecnologia e circulação de dados, conforme apontado pelo Dipol. Essa sintonia estaria sob responsabilidade de André Luiz de Souza, conhecido como "Andrézinho", e Eduardo Fernandes Dias, chamado de "Destino". Ambos são apontados como pesos, que se reportariam diretamente à Sintonia Final, instância máxima da organização, supostamente comandada por Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como "Marcola".


Setor do Raio X

Outra novidade identificada no organograma é o Setor do Raio X, descrito como um mecanismo interno de fiscalização, semelhante a uma corregedoria. Sua principal função é examinar as contas e avaliar a conduta dos diferentes setores da facção, realizando auditorias e apurações internas sobre o comportamento dos integrantes. Essa divisão, segundo a investigação, seria chefiada por Gratuliano de Souza Lira, conhecido como "Quadrado".


Quem são os associados ao PCC

Além dos membros formais, o documento lista os chamados associados, indivíduos que mantêm vínculo com a facção sem integrar plenamente sua estrutura hierárquica. Entre os citados estão Cleber Marcelino Dias dos Santos ("Clebinho"), ligado à Sintonia dos Advogados; José Carlos Gonçalves ("Alemão"); Gilberto Aparecido dos Santos ("Fuminho"), apontado como homem de confiança de Marcola; Caio Bernasconi Braga ("Fantasma da Fronteira"), associado ao tráfico internacional; Norambuena ("Comandante Ramiro"), descrito como mentor de guerrilha; e o empresário Mohamad Hussen Mourad ("Primo"), investigado por atuação em esquemas de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Desses, apenas Mohamad Hussen Mourad, alvo da Operação Carbono Oculto, e José Carlos Gonçalves são considerados foragidos.


Os "decretados" da facção

O organograma também identifica lideranças que romperam com a cúpula do PCC, foram expulsas da organização e passaram a ser juradas de morte. Entre os nomes citados estão Roberto Soriano ("Tiriça"), Abel Pacheco de Andrade ("Vida Louca"), Vanderson Nilton de Paula Lima ("Andinho"), Daniel Vinícius Canônico ("Cego") e Valdeci Alves dos Santos ("Colorido"). A investigação ainda levanta a suspeita de que Emivaldo da Silva Santos, conhecido como "Cadema", também teria sido afastado da Sintonia Restrita, passando à condição de expulso da facção.