STF condena irmãos Brazão pelo assassinato de Marielle

STF condena irmãos Brazão pelo assassinato de Marielle

Em um voto repleto de emoção e desabafo, a ministra Cármen Lúcia ofereceu consolo direto às famílias de Marielle Franco e Anderson Gomes, afirmando que "a justiça não é cega à dor das mães e viúvas".

Ao lado dos ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin, Cármen Lúcia formou a maioria necessária na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) para condenar os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão como mandantes dos assassinatos de Marielle e Anderson. Além disso, a ministra condenou o major Ronald Pereira e o policial militar Robson Fonseca, ambos da Polícia Militar do Rio de Janeiro, por formarem uma organização criminosa e colaborarem na execução do plano. O ex-delegado Rivaldo Barbosa também recebeu uma severa condenação por organização criminosa, corrupção e obstrução à justiça.

Mais do que uma fundamentação técnica, o voto de Cármen Lúcia se transformou em um manifesto contra a violência política e a "podridão" infiltrada nas instituições do Rio de Janeiro. Durante o julgamento, a ministra se dirigiu diretamente às famílias de Marielle e Anderson, presentes na sessão, transformando o rito jurídico em um momento de acolhimento.

O veredito com um tom emocionado foi fundamentado na "promiscuidade inaceitável" entre a política e a criminalidade organizada que assola o Rio de Janeiro. Para Cármen Lúcia, a participação de Rivaldo Barbosa representou "o ápice da degradação institucional", ao usar o aparato da Polícia Civil para proteger os mandantes enquanto simulava acolhimento às famílias das vítimas. "Para as mães, as viúvas e as filhas que aqui estão: a dor de vocês é a dor de uma democracia que foi baleada naquela noite de 2018", declarou a ministra. Com o voto da ministra, a Primeira Turma do STF atingiu o quórum necessário para a condenação, independentemente do voto final do ministro Flávio Dino. Este resultado marca a primeira vez que uma instância superior do país condena mentores intelectuais de um crime político com nível tão complexo e infiltrado no Estado.