A Penedo de cada canto com seu encanto
28/02/2026, 11:51:46Este é o primeiro dos artigos que narrarão pedaços da nossa história com requintes de detalhes para os anais da posteridade, como registro da Penedo de Cada Canto com Seu Encanto.
Volta e meia nos deparamos com perguntas que desafiam nossa memória enquanto escritor e historiador dos fatos que vivi ou que ouvi de quem já possuía idade consolidada para narrá-los. Mesmo considerando que o fato é a verdade contada.
Então, contemos:
Beco da Bolachinha, mais conhecido como Beco do Seu Duda ⇒ beco que interligava o pé da Ladeira da Quitanda à Rua dos Pescadores, em metade de sua extensão, cruzando perpendicularmente — em forma de ˥ — ao final do percurso. O local ganhou fama pelo torresmo quentinho servido no balcão, acompanhando o aperitivo da preferência do cliente. Ali também funcionava a venda de carne de porco, onde se realizava a matança do animal em condições de higiene garantidas, tanto que nunca houve registro de doença causada pelo consumo da carne do Seu Duda. Tornou-se uma tradição local, visitada até pelo prefeito da época como garantia da qualidade do que era servido. Encontravam-se ainda manteiga do sertão, charque e, a grosso modo, uma pequena mercearia onde de tudo se comprava, atendendo-se à moda da época: a anotação na caderneta. Eram os tempos dos homens de palavra.
Padaria do Seu Eliezer ⇒ a mais conhecida padaria do bairro Santo Antônio, também chamado Barro Vermelho. Era o local onde se encontrava o pão fresquinho e quentinho todas as madrugadas e finais de tarde. Também ficou marcada pelo atendimento de Zé Birunga, representante da comunidade negra, com seus famosos óculos ao rosto, transformando-se em símbolo daquele estabelecimento comercial. Nas madrugadas de todos os dias da semana, o cheiro da fabricação do pão invadia os lares da região, como garantia de que o acompanhante do café preto ou com leite logo chegaria à mesa das famílias.
Padaria da Toinha ⇒ localizada na Rua João Pessoa, em prédio dividido entre residência e ponto comercial, produzia o mais famoso pão penedense, atendendo a quase toda a cidade, do Tiro de Guerra para cima, com sua fórmula inconfundível. Destacavam-se o pão crioulo entrelaçado, o famoso cacetinho, o pão brioche e a bolacha sete capas. Havia ainda o serviço de entrega nas portas, dentro da mochila de pano branco, em quantidade previamente acertada com Dona Toinha, que, sem falta, por volta das seis horas da madrugada, já os havia deixado em cada residência dos clientes que pagavam mensalmente. Era venda garantida.
Certa feita, parte dessas entregas foi subtraída por jovens que passavam pelas ruas a caminho das aulas de educação física. Posteriormente descobertos pelos atiradores do Tiro de Guerra, sob o comando do Tenente Lauro, a ordem foi restabelecida. Todos os envolvidos arcaram com o prejuízo causado.