Como a Estratégia Transformou Carmed em Fenômeno

Como a Estratégia Transformou Carmed em Fenômeno

Transformação no Mercado Publicitário

Por muitos anos, o mercado publicitário brasileiro seguiu uma lógica previsível: cria-se a campanha, adapta-se ao digital, contrata-se um creator e impulsiona-se mídia. No entanto, a parceria entre o Grupo Chango, a Cimed e a executiva Karla Felmanas, realizada em 2025, aponta para uma nova direção — menos episódica e mais estrutural.

Modelo Contínuo de Conteúdo

Esse modelo não é um "case de campanha", mas sim um sistema elaborado. Em um ano, foram mais de 1.800 conteúdos publicados e impressionantes 907 milhões de visualizações acumuladas. Os canais de Karla tiveram um crescimento notável: 255% no YouTube, 41,7% no TikTok e 26,5% no Instagram. É importante ressaltar que esses números não são o ponto de partida, mas sim a consequência de uma mudança de lógica: o conteúdo deixou de ser uma peça tática e passou a ser a infraestrutura da marca.

A Operação Como um Organismo Vivo

A operação foi arquitetada como um organismo vivo, envolvendo direção editorial diária, leitura algorítmica e governança narrativa. Em vez de simplesmente adaptar campanhas ao digital, a estratégia foi concebida a partir da lógica das plataformas. A nova pergunta deixou de ser “como levar a marca para o TikTok?” e passou a ser “como construir a marca a partir do comportamento do TikTok?”.

Inversão Decisiva

Um grande avanço foi a escolha da Geração Z como vetor estrutural, e não apenas como target. Assim, a marca começou a operar dentro da cultura, ao invés de apenas ao seu redor. Os creators deixaram de ser considerados mídia terceirizada e começaram a atuar como personagens recorrentes dentro de um universo narrativo, que possui arco, continuidade, humor institucional e uma comunidade ativa e engajada.

O Digital Como Território

Nesse novo modelo, o digital não é mais visto como uma vitrine, mas sim como um território a ser explorado. A figura de Karla Felmanas se estabeleceu como uma plataforma narrativa central. Mais do que uma porta-voz, ela se tornou um eixo simbólico da construção da marca. Em tempos onde se discute o esgotamento da influência tradicional, este caso sugere uma nova perspectiva: a influência não é apenas um pico de engajamento, mas sim uma presença constante e coerente.

Sustentação e Longo Prazo

O foco não está em “viralizar”, mas em sustentar a presença da marca. Não é uma questão de contratar os maiores creators, mas de construir um sistema que possa sobreviver a eles. O que esse movimento revela é uma transição significativa para o mercado brasileiro: há uma dependência cada vez menor da mídia paga e uma construção cultural contínua, substituindo campanhas isoladas por uma permanência mais robusta.

Reflexão para o Futuro

Marcas que operam apenas em busca de picos tendem a desaparecer entre os algoritmos. Já aquelas que constroem ecossistemas narrativos conseguem criar memória. Ao se olhar para o futuro, a pergunta para 2026 é clara: quantas marcas brasileiras estão preparadas para tratar o conteúdo não apenas como uma entrega, mas como um sistema? Um aspecto relevante a ser considerado é que, no ambiente digital contemporâneo, quem não constrói cultura diariamente pode, infelizmente, deixar de existir todos os dias.