As interpretações contraditórias entre Ministros do STF
04/03/2026, 20:21:06André Mendonça manda quebrar sigilos de Lulinha, Flávio Dino manda emendá-los - proibir. Quem está certo?

As interpretações contraditórias entre Ministros do STF não são apenas divergências jurídicas. Tornaram-se, aos olhos do cidadão comum, um espetáculo público de insegurança institucional.
O Supremo Tribunal Federal deveria ser o ponto final das controvérsias constitucionais. A palavra derradeira. O porto seguro da Carta Magna. No entanto, quando ministros interpretam o mesmo artigo da Constituição de formas diametralmente opostas, o que era para ser estabilidade vira incerteza.
Não se trata de negar o direito à divergência. O debate jurídico é saudável e necessário. O problema começa quando decisões monocráticas anulam entendimentos colegiados, quando liminares se sobrepõem à jurisprudência consolidada e quando o voto de ontem é desdito no plenário de amanhã. Para o cidadão, isso soa menos como evolução do Direito e mais como instabilidade de critérios.
A Constituição não pode ser elástica ao sabor do intérprete. Se cada ministro imprime sua visão pessoal acima da coerência institucional, o STF deixa de parecer uma Corte e passa a parecer onze tribunais individuais sob o mesmo teto.
A consequência é grave: erosão da confiança pública. Quando a sociedade não compreende o critério das decisões, abre-se espaço para narrativas de seletividade, ativismo ou parcialidade — ainda que muitas vezes injustas. Justiça não é apenas ser; é parecer ser.
O STF é guardião da Constituição, não protagonista de disputas políticas. Divergir é humano. Contradizer-se sistematicamente é institucionalmente perigoso.
Num país já marcado por desconfiança nas instituições, o Supremo precisa ser farol — não labirinto.
