Dias quentes na política em tempos de chuvas. Chuvas de quê?

Até o dia 02 de abril, muita gente não dorme, e quem dorme não será candidato.

Dias quentes na política em tempos de chuvas. Chuvas de quê?

O céu pode até desabar lá fora, mas dentro dos gabinetes o clima é de estiagem moral. Vivemos dias quentes na política — quentes de tensão, de disputa, de acordos costurados na penumbra — enquanto a população assiste à tempestade cair sem saber se é água limpa ou lama que escorre pelas ruas do poder. Chove o quê? 

Chove denúncia requentada. 

Chove promessa reciclada.  

Chove emenda liberada na véspera certa.  

Chove nomeação estratégica.  

Chove silêncio comprado.

E, quando a chuva é forte demais, inventa-se um guarda-chuva institucional para proteger os de sempre. O discurso fala em estabilidade; a prática revela sobrevivência. Não é a chuva que incomoda — é o que ela carrega: resíduos de velhas alianças, respingos de escândalos abafados, enxurradas de oportunismo.

Em tempos de chuva, a política deveria lavar a alma pública. Mas, por aqui, parece que a água desce turva. O calor não vem do sol; vem da pressão. Pressão por cargos, por verbas, por controle.

Dias quentes na política não são sinal de vitalidade democrática. Muitas vezes são apenas o atrito de interesses se chocando. E a chuva? Se não for de transparência, será sempre de desconfiança.

No fim, resta a pergunta que insiste em cair como gota d’água na testa do eleitor: estamos molhados de esperança ou encharcados de ilusão?

Creditos: Professor Raul Rodrigues