Vorcaro preso, dosimetria esquecida, envolvidos em paranoia

Se prisão de Vorcaro não trouxer mais prisões, devolução do dinheiro dos servidores de prefeituras e estados, e condenações exemplares, a peça teatral estará apresentada ao ar livre com fins lucrativos.

Vorcaro preso, dosimetria esquecida, envolvidos em paranoia

A prisão de Vorcaro explode como manchete, mas o que deveria ser técnico virou espetáculo. Algemaram o nome, expuseram a foto, celebraram a queda. E a dosimetria? Esquecida no fundo da gaveta.

Justiça não é vingança. Pena não é grito de torcida. Dosimetria é cálculo frio, fundamento, proporcionalidade. É o que separa Estado de Direito de Estado de Humor. Quando a régua some, sobra o improviso — e o improviso costuma punir conforme o barulho, não conforme a lei.

No caso Vorcaro, o debate público descambou para paranoia. Há os que veem conspiração em cada despacho. Outros enxergam absolvição automática em cada crítica. Entre a idolatria e o linchamento, a técnica foi atropelada.

Prender pode ser necessário. Julgar é obrigatório. Dosar a pena é essencial. Sem isso, o processo vira palanque e a sentença, panfleto.

O país precisa menos de histeria e mais de critério. Menos paranoia e mais fundamento. Porque quando a dosimetria é esquecida, a justiça perde a medida — e a sociedade paga a conta.

Creditos: Professor Raul Rodrigues