Tensões entre EUA e Irã podem levar a ataque

Tensões entre EUA e Irã podem levar a ataque

Tensões no Oriente Médio em Chamas


Washington e Teerã vêm avançando num tenso processo de negociação sobre os programas militares iranianos, enquanto ao mesmo tempo os norte-americanos deslocam para o Oriente Médio seu maior poderio bélico desde a invasão do Iraque em 2003. Segundo Trump, "coisas ruins vão ocorrer" caso o Irã não faça um acordo sobre seu programa nuclear.
Deu alguns dias para o Irã responder favoravelmente, cerca de duas semanas, enquanto estimula manifestações contra o regime teocrático. Desistir do programa de mísseis balísticos é outra exigência de Washington, assim como a interrupção da ajuda a grupos armados na região. Até porque esses programas são uma ameaça a Israel.
Além disso, preocupam Riade, outro aliado dos Estados Unidos. O Irã resiste a essas exigências e daí o atual braço de ferro entre os dois países. Netanyahu esteve há pouco em Washington para pedir um jogo duro com Teerã. Ele solicitou que seja gerada uma escassez de divisas que abale a economia da velha Pérsia. Esse estrangulamento cambial teve sucessos e dificulta a venda do petróleo iraniano, causando desabastecimento, inflação e empobrecimento.
O jogo é pesado e ainda não temos vencedor. Parece difícil um acordo bom para os dois lados. O Irã resiste às imposições e se recusa a uma rendição incondicional. Uma reedição do acordo de 2015 seria aceitável por Teerã, mas Trump quer mais. A ameaça do uso da força pode se transformar em realidade, embora as dificuldades sejam enormes do ponto de vista logístico, com desestabilização provavelmente da região, que não interessa a quase ninguém.
O Irã vai tentar prolongar as negociações, mas os Estados Unidos podem usar novamente bombardeios seletivos, como fez em julho último, com o apoio de Israel. Esse seria o pior dos cenários possíveis, com eventual fechamento do estreito de Ormuz, mesmo que parcial, e aumento do preço do petróleo. A chance de um conflito aberto pode incendiar no curto prazo as cotações do petróleo, com consequências nefastas para a economia mundial.