Escândalo do Banco Master envolve políticos de diversos partidos
10/03/2026, 12:04:43
Escândalo do Banco Master e envolvimento político
O escândalo do Banco Master tem provocado intensa troca de ataques entre governistas e opositores, que se acusam de envolvimento com os negócios suspeitos de Daniel Vorcaro, preso novamente na última quarta-feira (4). Desde o ano passado, quando o banco foi liquidado, já foram citadas no caso, direta ou indiretamente, lideranças políticas dos dois lados, incluindo nomes do Congresso, governadores, ex-ministros e prefeitos - sem falar nos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. A proposta de uma CPI sobre a instituição financeira foi apresentada, mas o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) já indicou que não vai abrir a comissão.
Principais nomes envolvidos
- Antônio Rueda: A quebra de sigilo do telefone de Vorcaro revelou que ele ofereceu carona de helicóptero para Antônio Rueda, presidente do União Brasil, durante o Grande Prêmio de Fórmula 1 em Interlagos, em 2024, e também para o presidente do PP, Ciro Nogueira. Rueda não se manifestou sobre o tema.
- Ciro Nogueira: Vorcaro se referiu ao presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), como "grande amigo de vida" em mensagem de celular. O parlamentar apresentou em 2024 no Congresso uma proposta que foi apelidada de "emenda Master". Ela aumentaria a garantia de cobertura de correntistas no FGC (Fundo Garantidor de Créditos) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. O senador diz que "não mantém nem nunca manteve qualquer conduta inadequada relacionada ao caso em apuração".
- Cláudio Castro: O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), foi arrastado para o escândalo com a Operação Barco de Papel, da Polícia Federal, relativa a suspeitas no fundo de previdência dos servidores do estado, o Rioprevidência, que aplicou recursos no Master. O TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro) também instaurou apuração sobre os investimentos da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro) no banco.
- Davi Alcolumbre: O dono do Banco Master disse em mensagens que teve uma reunião na residência oficial do Senado em agosto passado. Além disso, as investigações têm como um dos alvos Jocildo Silva Lemos, que dirigiu a Amprev (Amapá Previdência).
- Guido Mantega: O ex-ministro da Fazenda foi contratado para ser consultor do Master e teria intermediado um encontro entre o presidente Lula e Vorcaro em 2024.
- Ibaneis Rocha: O BRB (Banco de Brasília) anunciou a aquisição de 58% das ações do Master, que acabou na mira de órgãos de controle.
- Jair Bolsonaro: O ex-presidente teve como maior doador na eleição de 2022 o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, que deu R$ 3 milhões à campanha de Bolsonaro.
- Jaques Wagner: O líder do governo no Senado confirmou ter indicado Ricardo Lewandowski como consultor do Banco Master.
- Ricardo Lewandowski: Prestou serviços ao banco e, ao assumir o Ministério da Justiça de Lula, retirou-se do escritório de advocacia.
As investigações continuam
O caso do Banco Master continua a ser investigado, trazendo à tona a complexa relação entre finanças e política no Brasil. Com a presença de nomes influentes na cena política nacional, o desfecho deste escândalo pode ter implicações significativas para o futuro desses líderes e para a confiança do público nas instituições financeiras do país. Um ponto central nos debates envolvidos é a necessidade de transparência e responsabilidade em todas as operações financeiras, especialmente aquelas que envolvem recursos públicos.
Portanto, à medida que mais informações surgem, fica claro que a situação requer atenção e vigilância contínua por parte da sociedade e das autoridades.
