Lula defende autonomia militar e produção nacional de defesa
10/03/2026, 06:06:36
Lula: se a gente não preparar a defesa, qualquer dia alguém invade
"Não precisamos ficar comprando dos 'Senhores das Armas'. Nós poderemos produzir. Ninguém vai ajudar a gente, a não ser nós mesmos", disse Lula sobre artigos militares para autodefesa.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta segunda-feira (9) com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, enfatizando a importância da autonomia e do fortalecimento nas capacidades de defesa, incluindo a produção de artigos militares. “Se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente. O Brasil tem necessidade similar à da África do Sul. Portanto, vamos juntar o nosso potencial e ver o que podemos construir juntos”, afirmou Lula ao receber Ramaphosa no Palácio do Planalto, em Brasília.
Lula destacou ainda que os dois países do Sul Global deveriam estabelecer uma parceria estratégica para se tornarem um mercado relevante na indústria de defesa. As declarações de Lula ocorreram após a assinatura de acordos bilaterais em áreas como turismo, comércio exterior e indústria, durante a visita do presidente da África do Sul ao Brasil, que se estenderá até esta terça-feira (10).
O presidente brasileiro também reiterou o perfil pacífico da América do Sul, mencionando que as tecnologias desenvolvidas na região têm aplicações civis. “Aqui, na América do Sul, nós nos colocamos como uma região de paz. Aqui, ninguém tem bomba nuclear, bomba atômica. Nossos drones são para agricultura, para a ciência e tecnologia e não para a guerra.”
Preocupações com o Oriente Médio
Lula expressou sua “profunda preocupação” com a escalada de conflitos no Oriente Médio, que, segundo ele, representam uma séria ameaça à paz e à segurança internacional. “O diálogo e a diplomacia constituem o único caminho viável para a construção de uma solução duradoura.” O presidente ainda mencionou que a guerra contra o Irã já está impactando significativamente o preço do petróleo em todo o mundo, o que deve trazer consequências econômicas adicionais.
“Esses conflitos produzem efeitos deletérios sobre as cadeias de energia, de insumos e de alimentos. São mais vulneráveis, sobretudo, as mulheres e as crianças que sofrem os impactos mais severos dessas crises”, declarou Lula.
Exploração de Terras Raras
Durante a declaração à imprensa, Lula também ressaltou o potencial do Brasil para a exploração de minerais críticos, que são essenciais para a transição energética e digital. O presidente enfatizou a necessidade de repensar o papel da exploração desses recursos nos territórios. “Já está avisado ao mundo que o Brasil não vai fazer das terras raras e dos minerais críticos aquilo que foi feito por minério de ferro. A gente vendeu o minério e comprou produto acabado pagando 100 vezes mais caro.”
Lula argumentou que o fortalecimento das cadeias produtivas de mineração entre Brasil e África do Sul é essencial para garantir que a riqueza dos recursos naturais beneficie a população local. “Chega! Já levaram toda a nossa prata, todo o nosso ouro, todo o nosso diamante, todo o nosso minério de ferro. O que mais querer levar? Quando a gente vai aprender que Deus colocou toda essa riqueza para nós e nós ficamos dando para os outros?”, questionou.
O presidente concluiu que a busca por um modelo de exploração que beneficie a população é fundamental.
Encontro em defesa da democracia
Lula também confirmou sua presença em Barcelona, Espanha, no dia 18 de abril, a convite do primeiro-ministro Pedro Sánchez, para a quarta reunião em defesa da democracia. “Queremos aproximar nossos países nos temas de regulação do ambiente digital, inteligência artificial e a valorização das fontes de informação de qualidade, incluindo tantas políticas domésticas quanto a articulação para fortalecer essa agenda no ambiente multilateral.”
Por fim, ele reafirmou que tanto o Brasil quanto a África do Sul compartilham a visão de que o Sul Global deve ter uma voz ativa nas grandes decisões internacionais.
