Bispo preso sob acusações de fraude e bordel
12/03/2026, 09:08:26
Religioso foi detido em aeroporto ao tentar sair do país e responde a acusações financeiras ligadas a recursos de uma comunidade cristã em San Diego
O bispo Emanuel Shaleta foi preso no Aeroporto Internacional de San Diego, na California, Estados Unidos, acusado de apropriação indébita e lavagem de dinheiro após uma investigação apontar que ele teria desviado recursos de uma igreja ao longo de meses, supostamente usando contas da própria instituição para encobrir irregularidades financeiras.
O caso ganhou ainda mais repercussão após uma investigação do site católico The Pillar apontar que o religioso teria visitado diversas vezes um bordel no distrito de luz vermelha Zona Norte, em Tijuana, no México, área frequentemente citada em denúncias relacionadas ao tráfico humano.
De acordo com o gabinete do xerife de San Diego, o religioso foi preso enquanto tentava embarcar para a Alemanha. Promotores afirmaram durante a audiência que ele representa risco de fuga e pediram que, caso seja liberado mediante fiança de US$ 125 mil (R$ 650 mil), utilize tornozeleira eletrônica.
As investigações indicam que, ao longo de cerca de oito meses, pagamentos de aluguel do salão social da igreja eram feitos em dinheiro e entregues diretamente a Shaleta. Em seguida, ele teria reembolsado a paróquia por meio de outra conta da instituição, originalmente destinada a ajudar pessoas de baixa renda com assistência de aluguel.
Segundo os promotores, os pagamentos mensais ultrapassavam US$ 30 (R$ 155) mil e cerca de US$ 272 mil (R$ 1,4 milhão) não foram devidamente contabilizados. Documentos analisados por investigadores indicam que o valor total supostamente apropriado pode chegar a US$ 1 milhão.
Um investigador particular contratado pelo veículo afirmou que Shaleta utilizava um transporte reservado a frequentadores do Hong Kong Gentlemen’s Club, estabelecimento localizado na região.
O relatório também menciona indícios de que o religioso teria mantido uma conta bancária conjunta com uma mulher que trabalhou anteriormente como secretária paroquial em Michigan. Segundo a investigação, ela e seus filhos teriam se mudado para acompanhar Shaleta quando ele foi transferido para outras cidades.
Em uma missa recente, o religioso também se manifestou sobre o caso diante da congregação. Ele afirmou nunca ter usado dinheiro da igreja para fins pessoais e disse ter buscado administrar e preservar as doações recebidas pela instituição.
Shaleta, ligado à Igreja Caldeia de São Pedro, declarou-se inocente na segunda-feira (9) de oito acusações de apropriação indébita, oito de lavagem de dinheiro e uma de crime financeiro agravado, segundo autoridades locais.
Na terça-feira (10), o Vaticano informou que aceitou a carta de renúncia de Shaleta, enviada em janeiro. O religioso deverá retornar ao tribunal no próximo mês e pode enfrentar até 15 anos de prisão caso seja condenado.
