Aumento da violência entre estudantes no Mapa da Mulher Carioca
13/03/2026, 05:05:11
Dados do Mapa da Mulher Carioca 2025 revelam um cenário preocupante em diferentes áreas relacionadas à segurança, à educação e ao sistema prisional envolvendo mulheres e meninas. O levantamento aponta que, entre 2024 e 2025, a população feminina privada de liberdade cresceu 3,5%, enquanto entre homens houve redução de 4,5%. Na cidade do Rio de Janeiro, a defesa dos direitos das mulheres também passa pela educação e pela atuação institucional.
Desde 2012, uma lei municipal promove a conscientização e a defesa das mulheres nas escolas da rede municipal. "Percebemos que era fundamental falar também sobre as meninas e adolescentes dentro das salas de aula. Precisávamos trazer esse debate para perto delas, com informação e linguagem adequada", afirmou a vereadora Tânia Bastos (Republicanos).
O estudo também destaca dificuldades estruturais no sistema prisional feminino. Houve redução de 33,3% nas unidades destinadas exclusivamente a mulheres, restando apenas quatro unidades femininas. Em relação à maternidade e cuidado, apenas 20% das unidades possuem berçário, e somente uma unidade prisional conta com creche em todo o sistema.
Na área da saúde, os números também preocupam: existem apenas quatro ginecologistas para atender 3.485 mulheres privadas de liberdade, o que representa cerca de um especialista para cada 871 detentas. Outro dado relevante é a queda de 86,2% nas visitas a mulheres presas entre 2024 e 2025. O levantamento também mostra que mulheres recebem 20% menos visitas que homens, evidenciando fragilidade nos vínculos familiares e sociais.
No ambiente escolar, as ocorrências de violência entre estudantes cresceram 36,8% entre 2023 e 2025. Entre os meninos, 66,4% das agressões são físicas, enquanto entre meninas há crescimento expressivo da violência psicológica e virtual, com aumento superior a 10 vezes nesses casos. A violência autoprovocada também atinge principalmente meninas. O levantamento aponta aumento de 146% entre 2023 e 2025, sendo que 77,3% das ocorrências envolvem meninas.
Quase oito em cada dez vítimas têm entre 12 e 15 anos, e 69% das meninas afetadas são negras. Os dados também mostram que 55% das notificações de violência contra crianças atingem meninas, e que 75% dos casos acontecem dentro de casa. Entre adolescentes vítimas de violência, 67,6% têm entre 10 e 14 anos, enquanto 94,6% dos agressores identificados são homens.
Na Câmara Municipal do Rio, o debate sobre a proteção de meninas e mulheres ganhou espaço institucional em 2009, com a criação da Comissão Permanente de Defesa da Mulher, proposta pela vereadora Tânia Bastos. Segundo a parlamentar, a iniciativa surgiu após a constatação de que não havia um espaço específico no Legislativo municipal para tratar das pautas femininas.
Além disso, em 2012, foi criada uma lei municipal, a 5439-12, que incentiva o debate sobre violência contra meninas e adolescentes dentro das escolas da rede municipal, com ações educativas e informativas voltadas aos estudantes.
A defesa dos direitos das mulheres também será celebrada pela Câmara do Rio com a entrega da Medalha de Mérito Pedro Ernesto à desembargadora Karin Emmerich, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. A magistrada ganhou repercussão nacional ao votar pela condenação de um homem de 35 anos que vivia com uma adolescente de 14 anos, reconhecendo o caso como estupro e não como matrimônio. A homenagem será concedida pela Mesa Diretora da Câmara Municipal do Rio, composta pelos vereadores Carlos Caiado, William Coelho, Tânia Bastos, Rafael Aloisio Freitas e Paulo Messina, como reconhecimento a iniciativas que fortalecem a proteção de meninas e mulheres no país.
