Previsão do Outono 2026 e seus Impactos Climáticos

Previsão do Outono 2026 e seus Impactos Climáticos

Outono 2026: o que esperar da estação?

Período marca transição entre verão e inverno; previsão indica calor acima da média, chuvas irregulares e dias mais frios de forma pontual.

O outono de 2026 tem início às 11h45 desta sexta-feira (20), no Hemisfério Sul, com o equinócio, que é o momento em que o Sol cruza a Linha do Equador em seu movimento aparente. A estação representa a transição entre o verão quente e úmido e o inverno mais frio e seco, principalmente no Brasil Central. O período se estende até o dia 21 de junho.

Durante o outono, as chuvas são mais escassas no interior do Brasil, em particular no semiárido nordestino. Já na porção norte das regiões Norte e Nordeste, ainda há volumes significativos, associados à convecção tropical e à atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT).

A estação também é marcada pela entrada de massas de ar frio vindas do sul do continente, que provocam queda nas temperaturas, sobretudo na Região Sul e em parte do Sudeste. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o período também marca o início de fenômenos típicos, como nevoeiros nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste; geadas no Sul, Sudeste e em Mato Grosso do Sul; possibilidade de neve em áreas serranas e planaltos do Sul; além da friagem no sul da Região Norte e em estados como Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e sul de Goiás.

Em entrevista ao iG, Lizandro Gemiacki, meteorologista do INMET explica que o outono de 2026 deve ter pequenas variações ao longo do período, mas que no geral, deve seguir o padrão típico da estação. “A previsão é de chuvas levemente abaixo da média e temperaturas levemente acima da média”, afirma. Ele também afirma que a redução das chuvas se intensifica ao longo da estação: “A partir de meados de abril e a partir de maio praticamente não tem chuva, pouquíssima chuva ou nenhuma chuva”.

Apesar da redução das precipitações, as frentes frias continuam atuando ao longo do ano. No entanto, durante o outono e o inverno, seus efeitos são mais limitados, influenciando menos a formação de nuvens e a ocorrência de precipitações. Por outro lado, esses sistemas continuam influenciando as temperaturas. “Atrás de uma frente fria, sempre vem uma massa de ar frio que faz as temperaturas caírem, mantendo as temperaturas amenas por vários dias consecutivos”, completa.

A estação é marcada pelo aumento do tempo seco, o que impacta diretamente a qualidade do ar e algumas atividades, como a agricultura. Segundo ele, a tendência é de redução da umidade ao longo dos meses, especialmente a partir de maio, o que pode agravar a sensação de ar seco e ampliar a variação térmica diária. Ele também aponta que, embora as queimadas sejam mais comuns no fim do inverno, o período já começa a apresentar condições que favorecem esse cenário.

No campo, o principal risco está relacionado à ocorrência de geadas em algumas regiões, que podem afetar lavouras e causar prejuízos pontuais, apesar de os produtores já estarem, segundo o especialista, "preparados para esse tipo de evento".

A previsão para o outono de 2026 indica um cenário variado no Brasil, com tendência de calor acima da média em quase todas as regiões e mudanças no padrão de chuvas. Confira, a seguir segundo o INMET:

Região Norte
A previsão indica chuvas dentro da média em áreas como o Amapá, partes de Rondônia, Tocantins, Amazonas e Pará. Já as temperaturas devem ficar acima do normal em quase toda a região, podendo ser até 1 °C mais altas em locais como o sudeste do Pará e o oeste do Tocantins.

Região Nordeste
No Nordeste, a previsão indica menos chuva do que o normal em grande parte da região, especialmente na Bahia, Rio Grande do Norte e Paraíba. Por outro lado, áreas como o Maranhão e o norte do Piauí podem ter mais chuva que a média, devido à atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). As temperaturas devem ficar acima da média histórica em toda a região nos próximos meses, embora o litoral norte possa registrar clima um pouco mais ameno.

Região Centro-Oeste
No Centro-Oeste, a chuva começa a diminuir a partir de abril, marcando a transição para o período seco. A previsão é de volumes próximos da média em Goiás e Mato Grosso, enquanto Mato Grosso do Sul pode ter menos chuva que o normal. As temperaturas devem ficar acima da média em toda a região nos próximos meses.

Região Sudeste
A previsão para o outono indica chuvas abaixo da média histórica em São Paulo e em grande parte de Minas Gerais. Nas demais áreas, os volumes devem ficar próximos da média, mas podem ocorrer episódios de chuva mais intensa no leste da região devido à passagem de frentes frias. As temperaturas tendem a ficar acima do normal, embora a chegada de massas de ar frio possa provocar quedas pontuais, principalmente em áreas de maior altitude.

Região Sul
A previsão indica menos chuva que o normal em toda a região, com destaque para Paraná e Santa Catarina. As temperaturas devem ficar acima da média, principalmente em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Ainda assim, a chegada de massas de ar frio pode provocar quedas de temperatura, especialmente nas áreas de maior elevação.

Impactos na agricultura
Segundo o INMET, a tendência de aquecimento das águas do Pacífico pode indicar a formação de um El Niño nos próximos meses, o que pode influenciar a agricultura no Brasil. Ainda assim, o clima depende de vários fatores, por isso as previsões devem ser analisadas com cautela. Na Região Norte, a expectativa de mais chuva pode favorecer lavouras já plantadas, como o milho, além de ajudar pastagens e a vegetação. Já no MATOPIBA, região que engloba Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a combinação de menos chuva e temperaturas mais altas pode reduzir a umidade do solo e prejudicar culturas como milho e algodão. No Centro-Oeste e Sudeste, esse mesmo cenário pode afetar o desenvolvimento das lavouras, principalmente nas fases mais sensíveis, devido ao risco de falta de água no solo. E no Sul, a previsão de pouca chuva e calor também pode impactar a produção, dificultar o plantio de culturas de inverno e atrasar a semeadura em algumas áreas.