Contos e contrapontos de uma política sob o olhar de quem conta sem aber contar
23/03/2026, 18:21:28Diferença rpincipal das duas administrações: RL coloca previsão de gastos no portal da transparência sem subterfúgios. MB nunca disponibilizou nada no portal da transparência em relação a gastos com combustíveis.

Na manhã desta segunda-feira, 23 de março de 2026, data simbólica por remeter também a 23/08/2012 — quando o ex-prefeito de Penedo, Israel Saldanha, protocolou uma forte denúncia contra a administração do então gestor Március Beltrão, acerca do escândalo que ficou conhecido à época como “Farra dos Combustíveis” —, cujo teor mencionava a quantidade de quilômetros que poderia ser percorrida com o volume de gasolina e diesel, chegando a estimativas em número de voltas ao mundo, o radialista João Lucas, da emissora Francês FM, retomou caso semelhante, desta feita envolvendo o atual prefeito de Penedo, Ronaldo Lopes.
Na verdade, a partir de outubro de 2012, esperava-se a elucidação do caso. Contudo, a frustração veio tempos depois, com o não andamento do processo instaurado pelo eminente promotor de Justiça que passou a apurá-lo. Surgiram, inclusive, novos fatos — entre eles, coincidentemente, a transferência de um delegado da Polícia Civil —, e tudo acabou caindo no esquecimento popular diante da ausência de desfecho.
Desta vez, o radialista em questão apresentou alguns cálculos e explorou, de forma acintosa, a ideia de que a data de 23 de março de 2026 teria conotação com a campanha de Guilherme Lopes para deputado estadual. O que, pela lógica linear da matemática, pode até confundir quem não domina os números. No ar, desafiou este professor a demonstrar, com base no valor de R$ 16.800.000,00 em combustíveis, quantas voltas ao mundo seriam possíveis. Então, vamos aos cálculos:
R$ 16.800.000,00, distribuídos ao longo de quatro anos de mandato de uma prefeitura que mantém 53 ônibus escolares (“amarelinhos”) em circulação diária — transportando estudantes da rede pública municipal nos turnos da manhã e da tarde —, além de todo o maquinário das secretarias de serviços públicos e agricultura, veículos da saúde (inclusive para TFD – Tratamento Fora do Domicílio), atendimento a pacientes acamados, ações nos povoados, campanhas dos governos federal e estadual e apoio à assistência social, compondo uma frota superior a 100 veículos, resultariam na seguinte ordem matemática:
R$ 16.800.000,00 ÷ 48 meses (quatro anos) = R$ 350.000,00 por mês.
R$ 350.000,00 ÷ 100 veículos = R$ 3.500,00 por veículo/mês.
Considerando, ainda, que veículos pequenos — cerca de 30 unidades do modelo Mobi — fazem, em média, 10 km/l, com combustível a R$ 7,00 por litro, cada veículo rodaria aproximadamente 500 km por mês. Uma conta que, na prática, revela-se distante da realidade operacional.
Restariam, então, R$ 3.500,00 mensais por veículo para manter em funcionamento os 53 ônibus escolares, o que resulta em:
R$ 3.500,00 × 53 = R$ 185.500,00 por mês.
R$ 185.500,00 × 48 meses = R$ 8.904.000,00.
Sem considerar variações de consumo, isso corresponderia a 8.904.000 quilômetros percorridos ao longo dos quatro anos.
Já os veículos leves (Mobis) percorreriam 500 km por mês × 30 veículos = 15.000 km mensais.
Em 48 meses: 720.000 km rodados, com gasto total estimado em R$ 5.040.000,00.
Quanto aos demais veículos — cerca de 17 unidades pesadas, como patrol, tratores e similares:
17 × R$ 3.500,00 = R$ 59.500,00 por mês.
R$ 59.500,00 × 48 meses = R$ 2.856.000,00.
Total previsto para gasto nos quatro anos: R$ 16.200.000,00.
Para quem gosta de discutir quantas voltas ao mundo seriam possíveis com esses números, o caminho correto é calcular os quilômetros rodados por cada tipo de veículo e, em seguida, somar os resultados conforme a quantidade de unidades em cada categoria.
Ressalte-se que esses valores foram elaborados considerando os quatro anos de mandato, e não com distorções ou multiplicações indevidas em ano eleitoral, como ocorreu no caso da administração Március Beltrão, em 2012.
