Irã ataca porta-aviões USS Abraham Lincoln dos EUA

Irã ataca porta-aviões USS Abraham Lincoln dos EUA

Teerã afirma que mísseis forçaram mudança de posição no Mar Arábico; Exército dos estadunidenses não confirma ataque e mantém operação na região.

O Irã disparou mísseis de cruzeiro contra o porta-aviões USS Abraham Lincoln nesta quarta-feira (25), segundo a agência semioficial Fars, que é ligada à Guarda Revolucionária. Com o ataque, a frota estadunidense teria sido obrigada a mudar de posição.

Conforme o The New York Times, até o momento, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) não confirmou ter sofrido ataque e sequer comentou as afirmações iranianas.

O USS Abraham Lincoln é usado na Operação Epic Fury, que ajuda nos bombardeios contra o Irã, que já entra na quarta semana. O navio é um dos principais mecanismos militares dos EUA na região.

O ataque acontece justamente durante o período em que as autoridades iranianas descartaram qualquer negociação com Washington para encerrar a guerra.

Irã rejeita acordo e mantém ofensiva

O porta-voz militar Ebrahim Zolfaghari afirmou que o país não aceitará negociar com os Estados Unidos, mesmo após o envio de um plano de paz com 15 pontos por parte do governo Donald Trump, conforme afirmam os americanos.

“Alguém como nós jamais se entenderá com alguém como você. Nem agora, nem nunca”, disse o oficial em vídeo divulgado pela agência Fars.

Trump afirmou na terça-feira (24) que o Irã chegou a lançar “100 mísseis” contra um porta-aviões estadunidense. Segundo ele, todos foram interceptados.

Apesar das falas e da troca de mensagens indiretas entre os dois países, não há sinal de redução nas ações militares. O Paquistão, país asiático, é quem faz a intermediação desse contato.

O governo estadunidense enviou ao Irã um conjunto de exigências que inclui restrições ao programa nuclear, limites ao desenvolvimento de mísseis e a reabertura do Estreito de Ormuz.

Em resposta, Teerã apresentou condições como o fim das sanções e o fechamento de bases americanas no Golfo Pérsico. Um funcionário dos EUA classificou as exigências como “irrealistas”, segundo o The New York Post.

Enquanto as condições são discutidas, ataques continuam sendo registrados dos dois lados. Israel informou ter realizado novas ofensivas contra alvos em Teerã e instalações militares no centro do Irã. Segundo o governo israelense, mais de 15 mil ataques já foram feitos desde o início da guerra.

Quarta semana de guerra

O conflito começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel iniciaram uma série de bombardeios contra alvos militares e nucleares do Irã. A ofensiva incluiu lançadores de mísseis, centros de comando e instalações estratégicas.

Logo no início da guerra, um ataque israelense atingiu um complexo da liderança iraniana em Teerã e matou o aiatolá Ali Khamenei, além de outros integrantes do alto escalão. A sucessão no comando ainda não está totalmente clara.

Desde então, o confronto se expandiu. O Irã passou a responder com ataques diretos, enquanto grupos aliados, como o Hezbollah, abriram novas frentes, ampliando o alcance da guerra.

Mesmo com proposta americana, não há sinal concreto de cessar-fogo. Autoridades israelenses indicam que a ofensiva pode durar semanas, enquanto o Irã mantém resistência e nega que haja negociação formal em andamento.