Jovem enfrenta esclerose múltipla e inicia Arquitetura

Jovem enfrenta esclerose múltipla e inicia Arquitetura

Maria Eloísa enfrentou crises da esclerose múltipla durante o ensino médio e agora se prepara para iniciar a faculdade de Arquitetura. A jovem, de 19 anos, concluiu os estudos em Maceió, passando por diversas adaptações e meses de recuperação após receber o diagnóstico da doença.

A esclerose múltipla é uma patologia neurológica crônica que compromete a comunicação entre o cérebro e o corpo. No Brasil, cerca de 15 pessoas a cada 100 mil habitantes enfrentam essa condição. Maria Eloísa, oriunda de Garanhuns, em Pernambuco, mudou-se para Maceió em 2020, acompanhando sua família, após seu irmão ser aprovado na Universidade Federal de Alagoas (Ufal). A pandemia da Covid-19 trouxe desafios adicionais, incluindo dificuldades financeiras, mas ela se destacou pela determinação e resiliência.

Primeiros sintomas e crises

Os sinais da doença começaram a aparecer em 2021, enquanto viajava para Garanhuns. Ela notou fraqueza nos braços e dificuldades em falar e andar. Uma segunda crise ocorreu em 2023, durante seu primeiro ano do ensino médio. Após agravamento da saúde, foi necessário um tratamento em Recife, onde recebeu o diagnóstico definitivo em 2024.

Desafios na volta à escola

Durante sua recuperação, Maria teve que adaptar sua rotina escolar. Devido à sensibilidade ao calor, usava um ventilador na sala de aula enquanto aguardava a instalação de ar-condicionado. Com dificuldades para anotar, começou a usar o celular e, depois, um tablet para acompanhar as aulas. E, felizmente, a doença agora se encontra estabilizada.

Tratamento pelo SUS

Maria Eloísa realiza acompanhamento médico a cada seis meses e utiliza o medicamento Fingolimode, disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O tratamento tem sido eficiente e está claro que o apoio da família, amigos e colegas foi fundamental em sua recuperação. Ela ressalta a importância da fé, mencionando promessas feitas pela melhora, como uma viagem a Juazeiro do Norte, no Ceará.

Interesse por Arquitetura

Em 2025, Maria participou do Programa de Apoio aos Estudantes das Escolas Públicas do Estado (PAESPE) na UFAL, o que despertou seu interesse pela arquitetura. Agora, após finalizar o ensino médio, aguarda com expectativa o início da faculdade em junho, mantendo uma rotina normal enquanto prossegue com seu tratamento.

Diagnóstico precoce e tratamento são fundamentais

De acordo com a neurologista Maraysa Pereira, a esclerose múltipla é a doença neurodegenerativa do sistema nervoso central que mais incapacita adultos jovens. A condição é mais comum entre mulheres de 20 a 40 anos, mas pode afetar pessoas de todas as idades. A especialista enfatiza que um diagnóstico precoce e um tratamento adequado permitem que pacientes levem uma vida normal, reduzindo o risco de novas crises e sequelas.