Cristo Redentor de Juiz de Fora é patrimônio histórico do Brasil

Cristo Redentor de Juiz de Fora é patrimônio histórico do Brasil

O Primeiro Cristo Redentor do Brasil

Nesta Sexta-Feira da Paixão (03), ponto central da Semana Santa, um detalhe pouco conhecido reaparece no alto de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, em um momento de luto na cidade: o primeiro Cristo Redentor do Brasil foi erguido ali mais de uma década antes do monumento do Rio e ainda domina a paisagem desde 1906.

A imagem fica no Morro do Imperador, a mais de 900 metros de altitude, com vista para a região central da cidade. Foi construída entre maio e novembro de 1905 e inaugurada em julho do ano seguinte. A estrutura tem 25 metros, com uma escultura de 3,75 metros trazida de Paris.

A ideia surgiu no início do século XX, quando um grupo de católicos decidiu substituir a tradição da cruz por uma representação do Cristo ressuscitado. A escolha acompanhava um momento de mudança na Igreja e também no país, que vivia um período de urbanização e crescimento.

Segundo levantamento da Rádio Catedral, emissora ligada à Arquidiocese de Juiz de Fora, o monumento antecede o do Rio de Janeiro, cujo projeto começou apenas em 1921.

A construção foi conduzida pela Companhia Pantaleone Arcuri & Spinelli, responsável por vários prédios marcantes da cidade. O projeto original hoje faz parte do acervo do Museu Mariano Procópio.

Com o passar do tempo, o local deixou de ser apenas religioso. O morro virou ponto turístico, espaço de lazer e mirante com vista ampla da cidade. Mesmo assim, a imagem segue ligada à fé e aparece até no hino municipal, como símbolo de proteção.

Transformações e Desafios do Monumento

O nome do morro também mudou com o monumento. Antes, a referência era Dom Pedro II, que visitou o local em 1861, onde é possível ver grande parte da cidade. Depois da inauguração, o Cristo passou a definir a identidade da área.

A construção nasceu de uma associação católica voltada à ajuda aos pobres. A proposta inicial era erguer uma cruz, mas o projeto evoluiu para o monumento como ele é hoje.

A imagem mostra uma mudança importante na forma de representar a fé. Sai a ideia da crucificação e entra o Cristo ressuscitado, ligado à vitória e à esperança, um símbolo que dialogava com a ideia de progresso daquela época.

Impactos das Chuvas na Estrutura

O morro onde o Cristo foi erguido também virou cenário de uma das imagens mais fortes das chuvas que atingiram a Zona da Mata mineira neste ano. Um deslizamento chegou a “rasgar” a encosta e abriu uma faixa visível na montanha, alterando o relevo em um dos pontos mais conhecidos da cidade.

A ocorrência não ficou isolada. Em áreas próximas ao morro, houve desabamentos e moradores chegaram a ser soterrados durante o temporal. O episódio fez parte de um cenário mais amplo que terminou com 66 mortes em cidades em Juiz de Fora.

Desde então, a Estrada Engenheiro Gentil Forn, um dos principais acessos da cidade e a rota para o local, segue interditada. A restrição impede a subida de visitantes e afeta diretamente o acesso ao mirante e ao entorno do monumento.

Mesmo quando a chuva para, o risco continua. A água infiltra nas fissuras da rocha e pode provocar quedas dias depois. Em alguns trechos, blocos ficam soltos, sustentados apenas pelo próprio peso.

O morro permanece sob monitoramento, e áreas de encosta próximas ainda são consideradas sensíveis. Com a interdição, o acesso ao Cristo também segue suspenso.

Importância Cultural do Cristo Redentor

Mais de um século depois, o monumento continua visível de vários pontos da cidade. Para quem olha de baixo, ele parece parte natural da paisagem. Para quem sobe, é mirante, ponto de encontro e também espaço de silêncio.

Em dias como a Sexta-Feira Santa, o sentido original volta à tona. Não como novidade, mas como algo que nunca saiu dali.