Naufrágio tragédia no Mediterrâneo deixa mortos e desaparecidos

Naufrágio tragédia no Mediterrâneo deixa mortos e desaparecidos

Naufrágio deixa dois mortos e 71 desaparecidos no Mediterrâneo

Um barco de madeira com cerca de 105 pessoas naufragou no Mar Mediterrâneo, deixando dois mortos e 71 desaparecidos. A embarcação havia saído de Tajoura, na Líbia, e 32 sobreviventes foram resgatados e levados para a Itália, neste domingo (05). O acidente aconteceu a cerca de 26 quilômetros da costa, neste sábado (04), em uma área de busca e resgate sob controle da Líbia, próxima a plataformas de petróleo na região de Bouri.

Dois navios mercantes participaram do socorro: o SAAVEDRA TIDE, de bandeira liberiana, e o IEVOLI GREY, da Itália. Eles resgataram 32 pessoas com vida e recuperaram dois corpos. No domingo os sobreviventes e os mortos foram levados para a ilha de Lampedusa, na Itália. Segundo as organizações envolvidas, outras 71 pessoas seguem desaparecidas no mar.

Relatos iniciais indicam que pessoas estavam na água em risco imediato de afogamento. Ao menos duas vítimas chegaram a permanecer no mar até serem retiradas por equipes de resgate. As ONGs também afirmam que houve coordenação de uma autoridade não identificada, possivelmente a guarda costeira líbia, durante a operação.

A ONG Mediterranea Saving Humans afirmou que a tragédia não foi um caso isolado. "Este não é um acidente inevitável, mas consequência das políticas de governos europeus que não oferecem rotas seguras e legais para migrantes", declarou. A organização também disse estar próxima das vítimas e familiares. "Estamos ao lado da dor dos sobreviventes, das famílias e dos amigos", informou.

Já a Sea-Watch relatou que a cena encontrada era crítica. Segundo a ONG, cerca de 15 pessoas estavam agarradas ao casco do barco virado, enquanto outras estavam na água, algumas já sem vida. A entidade afirmou ainda que um avião de monitoramento ajudou a localizar a embarcação e colaborou no resgate, além de evitar que sobreviventes fossem levados de volta à Líbia. Em outro comunicado, a organização criticou a resposta das autoridades. "Essa é a realidade na fronteira da Europa. Pessoas em perigo não recebem ajuda a tempo", afirmou. A Sea-Watch também destacou que, dias antes, 19 corpos de pessoas que morreram de frio haviam sido levados para Lampedusa. Para o grupo, os casos mostram um padrão recorrente. "Não são episódios isolados, mas resultado de uma política de fronteiras que leva à morte", declarou.

Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência ligada à ONU, pelo menos 606 migrantes morreram ou desapareceram na rota do Mediterrâneo apenas nos dois primeiros meses de 2026. Este é o início de ano mais mortal desde 2014, quando esses dados começaram a ser registrados, segundo informou a organização. Dados do governo italiano ainda mostram que 6.175 migrantes chegaram ao país por mar entre 01 de janeiro e 03 de abril de 2026, número menor do que no mesmo período de 2024 (11.969) e 2025 (9.399). Entre as nacionalidades mais registradas neste ano estão Bangladesh, Somália, Paquistão e Sudão. O levantamento também aponta que 1.314 menores desacompanhados desembarcaram na Itália até o fim de março de 2026.