Canabidiol não é recomendado para autismo, diz neuropediatra
07/04/2026, 09:00:53
Entrevista Reveladora
O médico José Salomão Schwartzman, uma autoridade no Transtorno do Espectro Autista (TEA) e em distúrbios do desenvolvimento, tem abordado temas cruciais sobre o diagnóstico precoce e a necessidade de suporte especializado no Brasil. Em uma entrevista ao programa Roda Viva, transmitido na última segunda-feira (6), ele destacou que os tratamentos comuns para a condição, incluindo medicamentos que contêm canabidiol, não possuem a eficácia comprovada necessária.
Evidências Limitadas
Segundo Schwartzman, "todos os estudos feitos com canabidiol em autismo refletem discretas melhoras em alguns aspectos, como na comunicação e na diminuição de estereotipias". No entanto, ele enfatizou que, considerando as amplas pesquisas já realizadas, "não há nenhuma evidência de que o canabidiol, tal como ele existe hoje, ajude no autismo". Embora a substância possa auxiliar em casos de epilepsia refratária, sua eficácia no tratamento do autismo é debatida.
Formação Médica e Diagnóstico Precoce
Em sua análise, o neuropediatra também abordou pontos críticos sobre a formação profissional dos médicos brasileiros. Ele mencionou que, em geral, a formação é insuficiente no que diz respeito ao desenvolvimento neurológico. "O médico formado no Brasil é um profissional que faz puericultura, reconhece doenças mais tradicionais e conhece muito pouco sobre deficiência intelectual", afirmou Schwartzman.
De acordo com o especialista, o diagnóstico de autismo deveria envolver mais médicos, não se limitando apenas a especialistas. Ele adverte que muitas vezes o diagnóstico é tardio, o que pode impactar fortemente o tratamento adequado das crianças.
A Natureza Genética do TEA
José Salomão discutiu a genética como um fator preponderante no autismo. Ele afirma que, em muitos casos, não é necessário um gatilho externo para que o transtorno se manifeste. "A carga genética é predominante, e eu não preciso de um gatilho para identificar o tipo de transtorno do TEA". O médico exemplificou citando famílias com múltiplos casos de autismo, ressaltando a importância da carga genética nesse panorama.
Críticas aos Diagnósticos Modernos
Em meio a avanços tecnológicos e ao crescente reconhecimento do TEA, Schwartzman levantou preocupações sobre a ampliação dos critérios diagnósticos. Ele acredita que essa expansão criou confusões, categorizando indivíduos que apresentam diversas manifestações e não necessariamente se enquadram no espectro autista. “Eu vou ampliando o espectro e constituindo um frankenstein”, exclamou, criticando a possibilidade de diluição do conceito de autismo.
Em resposta aos questionamentos sobre se a definição do espectro autista precisa de revisão, ele comentou que muitos casos diagnosticados não correspondem à realidade do autismo. A complexidade do assunto e a necessidade de um diagnóstico mais preciso são preocupações centrais para o neuropediatra.
Conclusão
É evidente que o debate sobre o uso do canabidiol no tratamento do TEA e a abordagem do autismo como um todo exige uma análise cuidadosa. A opinião de especialistas como José Salomão Schwartzman é vital para a evolução das práticas médicas e para a promoção de um entendimento mais claro sobre a condição.
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