Lula e a Desafiadora Caminhada para o Quarto Mandato

Lula e a Desafiadora Caminhada para o Quarto Mandato

Desafios na Reeleição

Costuma-se dizer, na teoria político-eleitoral, que a reeleição é um bom termômetro do governo daquele que a busca. Se reeleito, receberá um selo do eleitorado: aprovado; se não reeleito, ocorre o inverso e sua gestão é recusada pela expressão dos votos nas urnas.

Mas o cenário atual no Brasil é bastante peculiar. Nosso atual mandatário caminha para concluir seu 3° mandato como presidente e, neste entremeio, elegeu também a sua sucessora em 2010, Dilma Roussef. O 4° mandato até envolve a aprovação do seu governo, claro, mas não é como uma reeleição, digamos, regular, como a que busca, por exemplo, Tarcísio de Freitas em SP.

A Sobrevivência da Esquerda

A reeleição de Lula representa a própria sobrevivência da esquerda. Isso é até fácil de ver. Quem poderia, minimamente, substituir Lula no futuro, no espectro da esquerda? No momento, ninguém. Enquanto a direita tem uma profusão de nomes e dificuldades para escolher um único representante de suas ideias, a esquerda agradece por ter Lula, mas sabe que o futuro pode ser sombrio.

A culpa, em boa parte ao menos, é do próprio presidente. Diferente de Jair Bolsonaro ou mesmo de Fernando Henrique Cardoso, líderes que abriram espaço para novas lideranças – veja-se o caso de Tarcísio de Freitas –, Lula nunca quis o risco da sombra de ninguém no PT ou na esquerda.

Marina Silva e Marta Suplicy foram as mais conhecidas vítimas desse egocentrismo do líder máximo petista. Mas mesmo Ciro Gomes recebeu a sua “parte”. Em 2018, com Lula preso, Ciro esperava ver a sua candidatura ser ungida por uma coalizão de forças à esquerda, mas teve seus planos frustrados pelo líder encarcerado. O ex-governador do Ceará, naquela ocasião, sem apoio nenhum da esquerda, teve 12% de votos no 1’° turno. E viu Haddad ser superado por Bolsonaro.

A Idade e os Novos Desafios

Agora, tudo parece ser diferente. A começar pela idade. O octagenário presidente já não tem o gás do passado e sua campanha terá que aceitar isso. Ele próprio já declarou que só concorre “se a cabeça estiver boa”. Há quem afirme não estar e até defenda sinais visíveis de demência, mas não parece ser algo real. Lula ama o contato com as pessoas, é extremamente carismático e qualquer diminuição de sua cognição seria sentida imediatamente.

Um Congresso Adverso

Não é só isso, porém. Lula governou dois mandatos com um Congresso a seu favor. O terceiro mandato foi com um Congresso contrário aos seus interesses e praticamente todo ele à direita. Nada indica que esse próximo mandato será diferente. O PT tem se esforçado para acender o ânimo da militância quanto à importância das eleições proporcionais, a fim de formar boa bancada de senadores e deputados. Exortar, contudo, não é o suficiente.

O Senado tem sido visto como o grande alvo da esquerda, que o considera “bolsonarista demais”. Candidatos de oposição lideram no Amapá, Rondônia, Acre, Amazonas, Pará, Alagoas, Rio Grande do Norte, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, DF, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em alguns poucos estados, como Bahia e Pernambuco, partidos mais à esquerda, ou o próprio PT, têm boas chances.

A Eleição do Senado

Para piorar, a eleição para o Senado deste ano elegerá dois representantes por Estado, o que significa uma renovação de 54 cadeiras. Como se diz na expressão popular, “quem ganhar leva tudo”: forma maioria, escolhe o presidente da casa em 2027 e ganha poder de um modo geral. O PT e os demais partidos que o apoiam estão bem cientes desse quadro adverso e agem para ao menos diminuir o tamanho de uma eventual derrota no Senado.