Marcos marcantes do impeachment de Dilma Rousseff
17/04/2026, 12:02:11
Contexto da Votação
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "Como vota, deputado?", a pergunta foi repetida centenas de vezes, naquele 17 de abril de 2016, pelo então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB). Era a sessão de votação que abriu o processo de impeachment contra a então presidente Dilma Rousseff (PT), e o plenário estava abarrotado. Como a maioria dos deputados resolveu discursar, Cunha os apressava com aquela pergunta, para evitar que se estendesse ainda mais a sessão, que durou dez horas. Nada que tenha impedido Hiran Gonçalves (PP-RR), Stefano Aguiar (PSD-MG) e Laerte Bessa (PR-DF) de dedicar seus votos a favor do impeachment aos "maçons do Brasil", a "Liliane, meu amor" e a "minha mãezinha", respectivamente. Os partidos citados são aqueles a que os parlamentares pertenciam à época. Enquanto as principais cidades do Brasil convulsionavam em protestos contra e a favor do impeachment, os oposicionistas entoavam, no plenário, "Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor", vários usando lacetes nas cores verde e amarelo, ao redor do pescoço. Em contraste, a esquerda protestava com "fora, Cunha". No fim, a vitória oposicionista se deu por 367 votos a 137, e o afastamento de Dilma, sob acusação de crime de responsabilidade no caso das pedaladas fiscais, foi confirmado menos de um mês depois no Senado.
Sessão Como Símbolo
Passada uma década, a sessão da Câmara tornou-se um símbolo da história recente da política brasileira, sobretudo porque prenunciou o antagonismo ideológico que se acirraria nos anos seguintes. Também expôs temas que ganhariam força no debate, entre os quais a bandeira anticorrupção, o discurso religioso e a retórica contra o golpismo, perpetuada pela esquerda. Mais discretos do que outros colegas, estiveram presentes no plenário figuras vultosas, que ganhariam poder, todas a favor do impeachment: os futuros presidentes da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ), Arthur Lira (PP-AL) e Hugo Motta (PMDB-PB) e o futuro presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG).
Momentos Marcantes
Alguns episódios ocorridos naquele dia são lembrados até hoje: a homenagem do ex-presidente Jair Bolsonaro a um torturador da ditadura, a cusparada de Jean Wyllys (PSOL-RJ) em Bolsonaro e o voto de Cunha. A seguir, relembre dez momentos marcantes da sessão:
- 'PELA MEMÓRIA DE USTRA' Bolsonaro, filiado ao PSC, parabenizou Cunha por ter acolhido a denúncia formulada pelos advogados Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal. Em tom de celebração, comparou 1964, ano do golpe militar, com 2016. Finalmente, homenageou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, torturador da ditadura. Em 1970, Dilma foi presa e torturada pelo regime, com pau de arara, choques, socos e palmatória. "Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff", afirmou Bolsonaro.
- 'QUE DEUS TENHA MISERICÓRDIA DESSA NAÇÃO' Cunha se ausentou da cadeira da presidência por um breve momento para votar, sob vaias da base governista. "Que Deus tenha misericórdia dessa nação. Voto sim." Naquele contexto, Cunha já era réu, acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no âmbito da Lava Jato.
- 'CUNHA, VOCÊ É UM GÂNGSTER' Dedo em riste, o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) disparou: "Eduardo Cunha você é um gângster. E o que dá sustentação à sua cadeira cheira a enxofre". Em seguida, homenageou figuras de esquerda que se engajaram na luta contra a ditadura.
- 'FARSA SEXISTA' O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) iniciou o voto atacando Cunha e o então vice-presidente, Michel Temer (PMDB). "Estou constrangido de participar dessa farsa, dessa eleição indireta, conduzida por um ladrão, urdida por um traidor... Essa farsa sexista", disse Wyllys.
- 'PELOS MILITARES DE 64, HOJE E SEMPRE' Enrolado numa bandeira do estado de São Paulo e olhando diretamente para a câmera, Eduardo Bolsonaro lembrou Deus, os revolucionários de 1932 e pediu a prisão de Lula e Dilma.
- 'A LUTA APENAS COMEÇOU' A deputada Jandira Feghali (PC do B) demonstrou indignação, e fez uma profecia: "A luta apenas começou".
- 'SIM PELO FUTURO' O deputado Bruno Araújo (PSDB) proferiu o 342º voto, que sacramentou o prosseguimento do processo de impeachment.
- 'GLÓRIA A DEUS' "Glória a Deus", disse o deputado Cabo Daciolo (PT do B), apresentando ao Brasil a exultação que seria a marca de sua campanha à Presidência.
- 'A MORENA MAIS LINDA DO BRASIL' Luiz Henrique Mandetta, na época deputado pelo DEM, saudou a sua cidade, Campo Grande.
- 'TIRIRICA, TIRIRICA, TIRIRICA' Ao chamar Tiririca (PR-SP), o humorista foi sucinto e declarou: "Senhor presidente, pelo meu país, meu voto é sim".
Conclusão
Esses eventos ainda reverberam na sociedade brasileira e nos lembram da complexidade política daquele período. Não esqueça de acompanhar nossos posts para ficar por dentro dos desdobramentos atuais da política e dos marcos históricos que moldaram o Brasil.
