Análise: entre evolução e erros persistentes, Cruzeiro ainda busca sequência para ser confiável

Time segue com repertório, mas esbarra em ineficiência ofensiva e pequenos erros defensivos

Análise: entre evolução e erros persistentes, Cruzeiro ainda busca sequência para ser confiável

Um time com repertório, mas que transforma poucas chances em gol e que ainda tem alguma dificuldade defensiva. Esse foi o enredo do Cruzeiro no empate por 2 a 2 com o Goiás, na ida da quinta fase da Copa do Brasil. Placar definido com um golpe duro, aos 50 minutos do segundo tempo, em jogo com digitais marcantes de um passado recente.

Analisar o jogo pelas estatísticas deixa claro o equilíbrio. Posse de bola, finalizações e as intervenções dos goleiros foram parecidas. Mas o Cruzeiro, em análise fria, foi quem incomodou mais. Não é exagero dizer que merecia vencer.

Artur Jorge foi a Goiânia com escalação pouco modificada para o duelo de estreia na Copa do Brasil. Otávio, Kauã Moraes e Lucas Silva ganharam oportunidades. O time sentiu, especialmente, a ausência de Gerson no meio-campo.

O gol do Goiás aconteceu cedo e com erro na proteção de área do Cruzeiro. Lucas Silva e Kaiki se confundiram com movimentação de Lucas Rodrigues e permitiram finalização de Jean Carlos. Otávio defendeu, mas não evitou o rebote de Nicolas.

O cenário se desenhava preocupante, porque o Cruzeiro tinha baixa rotação para marcar no meio-campo e pouco segurava a bola na frente. A exceção neste cenário era Keny Arroyo, o único desafogo ofensivo. E partiu dele o empate rápido, que deu ao time celeste o controle do jogo.

Com o domínio, voltou a ser evidente o problema mais crônico desde a chegada de Artur Jorge: a falta de eficiência ofensiva. O Cruzeiro não teve o ímpeto demonstrado contra o Grêmio, por exemplo. Mas, mesmo neste cenário, viu Arroyo, Jonathan Jesus e Kaio Jorge desperdiçarem chances dentro da área. Tudo isso no primeiro tempo. Otávio, do outro lado, só trabalhou para afastar um recuo malfeito por Fabrício Bruno.

Na segunda etapa, Artur Jorge mexeu na equipe para aumentar o fôlego, mesmo ciente da queda inevitável de qualidade. E foi suficiente para manter o controle da partida, com subidas perigosas e menos espaços cedidos na defesa. Jonathan Jesus virou o jogo, mas o Cruzeiro cometeu dois erros fatais: não converter as chances e recuar cedo demais.

Antes mesmo da virada, Christian e Kaio Jorge pararam em defesas de Tadeu. Com o time em vantagem, Matheus Pereira fez o mesmo, assim como outros companheiros, errou o acabamento de jogadas que nem sequer viraram finalizações.

No fim, o Cruzeiro não recuou por vontade, mas porque foi incompetente para segurar a bola – com MP cansado, e Sinisterra sem ritmo algum de jogo. A área era bem protegida, mas estar com a bola rondando-a deixa mais perto do castigo. E ele veio com erros de Kauã Prates e Matheus Henrique, condenados por um chute raríssimo de Esli Garcia.

O resultado, em si, está longe de ser ruim, mas parece maltratar justamente por conta de dois problemas que foram melhorados, mas ainda não 100% corrigidos por Artur Jorge. O Cruzeiro precisa, urgentemente, empilhar jogos seguidos sem levar gols. E, claro, não dá para perder tantas chances na frente. São os pontos de atenção em um time que, jogo após jogo, demonstra alguma evolução.

Creditos: Guilherme Macedo — Belo Horizonte