Fragata Tamandaré é a nova adição da Marinha do Brasil

Fragata Tamandaré é a nova adição da Marinha do Brasil

A nova fragata da Marinha do Brasil

A Marinha do Brasil incorporou oficialmente à sua frota, nesta sexta-feira (24), a primeira embarcação da Classe Tamandaré. A cerimônia, chamada "Mostra de Armamento" foi realizada na Base Naval do Rio de Janeiro, em Ponta da Areia, em Niterói, marcando a entrada em operação do navio de guerra mais moderno da América Latina.

O iG esteve presente na cerimônia e registrou a entrega da fragata. Acompanhe:

A fragata incorporada nesta sexta-feira foi a F200, que começou a ser construída em 2022 e passou por testes no mar desde dezembro de 2026. A partir de agora, já integra as operações da Marinha, ampliando a capacidade de defesa naval do país.

O comandante da Marinha Marcos Sampaio Olsem comemorou a chegada da nova embarcação: “A Tamandaré deixa o ciclo industrial para iniciar o ciclo operacional e traduz a centralidade do uso do mar para o progresso e o desenvolvimento do povo brasileiro.”

O navio de guerra conta com sensores avançados, sistemas de combate integrados e armamentos de alta precisão, incluindo diferentes tipos de canhões e metralhadoras.

Um dos destaques tecnológicos apresentados durante a cerimônia é um algoritmo inteligente capaz de analisar ameaças em diferentes ambientes, seja ele subaquático, na superfície ou aéreo, e indicar automaticamente ao comandante qual armamento é mais adequado para cada situação.

A embarcação foi construída no Brasil, em Itajaí, Santa Catarina, com mão de obra nacional e transferência de tecnologia alemã. A fragata pode atingir até 25 nós (cerca de 47 km/h) e possui autonomia de 5.500 milhas náuticas. Ao todo, ela possui 107,2 metros de comprimento e 20,2 metros de altura.

Na parte de cima, há um espaço preparado para receber o pouso de aeronaves do exército brasileiro de médio porte, se necessário durante as ações.

Segundo o comandante da Marinha, o fato da construção da frota da classe Tamandaré ser toda no Brasil gera por volta de 23 mil empregos diretos e indiretos. Outro ponto importante é o alto nível de automação da fragata, que permite reduzir consideravelmente o tamanho da tripulação. Ao todo, cerca de 143 militares devem trabalhar no navio, sob as ordens do comandante empossado do Navio Gustavo Cabral Thomé. Outro ponto que ajuda nessa questão, é o fato de diversos sistemas também serem operados de forma remota.

A embarcação terá como "casa" a própria Base Naval do Rio de Janeiro e atuará principalmente na chamada “Amazônia Azul”, área marítima estratégica para a economia e soberania do Brasil, de onde sai a maior parte do petróleo, gás natural e pescados.

“O Brasil possui uma vasta área marítima sob jurisdição do Estado e é imprescindível ter capacidade de monitoramento e proteção dos recursos que ela abriga. São recursos voltados para energia, alimento e minerais, e não podemos ignorar que são alvo de cobiça” afirma Marcos Sampaio Olsem, comandante da marinha.

Segundo a corporação, o navio também será empregado na defesa de ilhas oceânicas, proteção de estruturas críticas e garantia das comunicações marítimas de interesse nacional.

A incorporação da nova fragata representa um avanço significativo no processo de modernização da Marinha do Brasil. O último grande programa do tipo havia ocorrido com a Classe Niterói, cuja última embarcação começou a operar em 1980. Apesar de serem úteis na defesa do país e seguirem em atividade, os navios mais antigos já não acompanham o nível tecnológico dos dias atuais.

O projeto da Classe Tamandaré prevê, inicialmente, a construção de quatro embarcações. Além da F200, já incorporada, outras três estão em diferentes estágios de produção. A fragata F201, “Jerônimo de Albuquerque”, começou a ser construída em 2023 e deve iniciar os testes no mar no segundo semestre de 2025. Já a F202, “Cunha Moreira”, teve a produção iniciada em novembro de 2024, com previsão de lançamento em junho de 2026 e incorporação em fevereiro de 2028. A F203, “Mariz e Barros”, até então a última prevista, começou a ser construída em janeiro de 2026 e tem previsão de entrada em operação em junho de 2029.

Uma das novidades do dia foi a assinatura de um Memorando de Entendimento para a construção de um segundo lote com mais quatro fragatas da mesma classe. Esse novo grupo ainda depende de planejamento financeiro e operacional, mas indica a intenção de ampliar significativamente a capacidade naval no médio e longo prazo. Mesmo pertencendo à mesma classe, cada nova embarcação deve incorporar atualizações tecnológicas ao longo do tempo. “Existe um processo de discussão contratual que envolve preço, cadeia de suprimentos e aumento do conteúdo nacional. A primeira fragata tinha 32% de conteúdo nacional; as próximas já se aproximam de 50%, e a meta é chegar a 60%” conclui Marcos Sampaio Olsem, comandante da Marinha.